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Ana Botín: «Sem um crescimento económico mais elevado, as pensões estão em risco»

A presidente do Grupo Santander diz que o setor público está «praticamente a atingir o seu limite» e aponta o exemplo do problema da habitação

03 Nov 2026 - 15:35

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Ana Botín Presidente do Grupo SantanderFoto Santander

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Professional woman presenting in front of a large multi-line chart showing data trends behind her.

Ana Botín Presidente do Grupo SantanderFoto Santander

A presidente do Grupo Santander deixou nesta terça-feira uma série de recados aos responsáveis dos vários organismos da União Europeia (UE). Durante a conferência anual do Banco Santander, na qual participaram vários responsáveis de instituições internacionais, entre eles a comissária europeia dos Serviços Financeiros, Maria Luís Albuquerque, Ana Botín defendeu a necessidade de a Europa mobilizar a poupança para evitar que o baixo crescimento se transforme num problema estrutural, apontando o setor bancário como um elemento decisivo para alcançar esse objetivo.

Para Ana Botín, «demonstrámos que temos uma economia resiliente, tendo superado duas guerras, a pandemia, a crise energética, a inflação… Mas toda esta resiliência tem um custo: atualmente, estamos a crescer a metade do ritmo a que crescíamos antes de todos estes acontecimentos». A responsável salientou ainda que «temos de evitar que este menor crescimento se torne estrutural, porque, sem isso, não há segurança. Sem um crescimento mais elevado, as pensões estão em risco e aumentam as tensões sociais, como estamos a verificar».

Outro exemplo apontado por Ana Botín, que está na ordem do dia em vários países europeus, é a questão da habitação e a necessidade de acelerar o investimento neste setor. «A habitação é um problema que afeta toda a Europa. Trata-se de uma prioridade social de primeira ordem, cuja solução não passa pela procura, mas sim pelo lado da oferta», afirmou.

«O setor público está praticamente a atingir o seu limite, a situação orçamental está sob forte pressão e prevê-se que o défice público da Europa atinja os 3,5%, com a rendibilidade da dívida soberana já próxima dos 4%, o valor mais elevado dos últimos 14 anos», afirmou Ana Botín.

A presidente do Santander apontou a poupança dos europeus, que ascende já a 13 biliões de euros, como um instrumento fundamental para resolver vários problemas estruturais da Europa. No entanto, identificou como um dos principais obstáculos o facto de «toda essa poupança ser investida no estrangeiro, sobretudo nos Estados Unidos», defendendo, por isso, a criação de um enquadramento que permita manter esses recursos no espaço da UE.

Entre as possíveis soluções, Ana Botín apontou o setor bancário como um fator decisivo. Para sustentar esta posição, fez referência ao mais recente estudo da Federação Bancária Europeia, que estima a existência de 273 mil milhões de euros de capital que poderiam ser colocados ao serviço da economia, mas que permanecem atualmente imobilizados devido ao excesso de regulamentação.

«Trata-se de capital que temos acima dos requisitos regulamentares e que permanece imobilizado devido, sobretudo, às exigências de supervisão», afirmou Ana Botín, acrescentando que este capital permitiria cobrir três anos e meio das necessidades de financiamento nos setores da defesa, da energia e da digitalização.

A presidente do Santander voltou a defender uma simplificação da regulamentação bancária, salientando a necessidade de atribuir aos supervisores um segundo mandato, que não se limite à estabilidade financeira, mas que inclua também a competitividade e coloque o crescimento no centro dos seus objetivos.

Um objetivo que não se restringe ao setor bancário, mas que deveria ser alargado a todos os setores económicos da UE, de modo a fomentar a sua competitividade.

Por fim, Ana Botín defendeu a criação de um mercado único europeu de titularização de dívida, uma vez que este mercado «representa atualmente uma pequena fração do mercado norte-americano, correspondendo apenas a 7% a 8% da sua dimensão».

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