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Open Finance coloca a confiança nos dados no centro da inovação financeira

Mais dados disponíveis não significam melhores decisões. O Open Finance abre novas oportunidades para bancos e seguradoras, mas exige maior controlo sobre a informação partilhada, transparência na sua utilização e responsabilidades bem definidas

21 Out 2026 - 16:10

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Painel 5

Panel discussion with four professionals seated on stage; the man in the center speaks into a microphone while others listen, against a blue-purple backdrop.

Painel 5

A partilha de informação entre instituições financeiras pode abrir caminho a novos serviços e a uma relação mais personalizada com os clientes. Mas quem garante a qualidade dos dados  que circulam entre bancos, seguradoras e outras entidades? Quem responde quando uma decisão baseada em informação incorreta prejudica um consumidor? E como preservar a confiança num sistema financeiro em que a inteligência artificial assume um papel cada vez mais relevante?

Estas foram algumas das questões que marcaram o último painel do AI & Data Summit, dedicado ao tema “Open Finance: oportunidade ou perda de controlo?”. Moderado por Miguel Ganhão, diretor do Jornal PT50, o debate reuniu Ricardo Gonçalves, Head of Innovation and AI da Fidelidade, Francisca Barata Salgueiro, Head of Digital da Caixa Geral de Depósitos, e Luís Morim, CRO do Banco Santander.

A discussão passou pelas oportunidades de negócio criadas pela partilha de informação, pela responsabilidade das instituições na utilização dos dados e pelos riscos associados a decisões automatizadas. Entre os temas colocados pelo moderador estiveram também a possibilidade de os sistemas de inteligência artificial produzirem informação que venha a ser utilizada por outros modelos e as consequências de avaliações incorretas, tanto na concessão de crédito como na definição dos prémios de seguros.

Para Luís Morim, “o Open Finance representa uma oportunidade importante para criar soluções mais simples, personalizadas e relevantes para os clientes, promovendo simultaneamente a inovação e a concorrência no setor financeiro”.

O responsável do Santander reconhece, no entanto, que “a partilha de dados exige um forte foco na confiança, na segurança e na governação da informação. Os principais desafios estão relacionados com a proteção dos dados, a sua qualidade e integridade, a gestão de riscos associados a terceiros e a definição clara de responsabilidades num ecossistema cada vez mais interligado”.

A questão não está, por isso, apenas em disponibilizar mais informação, mas também em assegurar que a sua utilização respeita regras claras e que os clientes sabem como os seus dados são tratados. Luís Morim defende que “a mitigação destes riscos passa pela adoção de elevados padrões de segurança, por mecanismos robustos de governação dos dados, por uma gestão adequada dos riscos ao longo do ecossistema e por transparência perante os clientes sobre a forma como os seus dados são utilizados. A inovação e a confiança não são objetivos contraditórios. Pelo contrário, a inovação sustentável depende da confiança”.

A responsabilidade não desaparece com a automatização

A crescente utilização da inteligência artificial trouxe outra questão ao debate: até que ponto podem as instituições confiar nos resultados produzidos pelos modelos, sobretudo quando estes influenciam decisões com consequências diretas para os clientes?

Na perspetiva do responsável do Santander, «a qualidade dos dados é um fator crítico para qualquer processo de decisão, independentemente de este ser apoiado por inteligência artificial ou por modelos mais tradicionais. Por isso, os bancos investem cada vez mais em controlos de qualidade dos dados, mecanismos de validação, monitorização contínua e enquadramentos de governação que assegurem a fiabilidade da informação utilizada”.

A capacidade de explicar as decisões foi igualmente uma das preocupações abordadas no painel. Quando um sistema recomenda uma operação ou produz uma avaliação de risco, não basta conhecer a conclusão. É necessário perceber que informação foi utilizada e quais os fatores que determinaram o resultado.

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