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Bancos portugueses são dos mais bem capitalizados apesar do recorde de distribuição de dividendos

DBRS analisou 40 instituições financeiras, entre as quais quatro portuguesas — Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp, Novo Banco e Banco Montepio — que distribuíram mais de 81 mil milhões de euros em dividendos relativos aos resultados de 2025

21 Out 2026 - 15:18

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Setor bancário nacional

Setor bancário nacional

Portugal foi o país europeu onde os bancos mais reforçaram a sua solidez financeira desde 2022. Segundo um relatório da agência de notação financeira Morningstar DBRS, divulgado nesta quarta-feira, «entre o final de 2022 e o primeiro semestre de 2026, o rácio CET1 aumentou sobretudo em Portugal (+3,1 pontos percentuais, para 17,8%), na Alemanha (+2 pontos percentuais, para 15,7%) e nos Países Baixos (+1 ponto percentual, para 16,2%). Em contrapartida, diminuiu nos países nórdicos (-1 ponto percentual, para 16,8%), no Reino Unido (-0,6 pontos percentuais, para 13,8%), na Irlanda (-0,4 pontos percentuais, para 16,3%) e em Itália (-0,3 pontos percentuais, para 14,5%)».

No relatório intitulado «Bancos europeus mantêm reservas de capital sólidas apesar do aumento dos rácios de distribuição de dividendos», a DBRS analisou 40 grandes bancos europeus, entre os quais quatro instituições portuguesas — Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp, Novo Banco e Banco Montepio —, e constatou que o rácio CET1 médio ultrapassou os 15% em meados de 2026, com margens confortáveis de cerca de 450 pontos base acima dos requisitos regulamentares mínimos.

«Alguns países destacam-se: os bancos portugueses apresentam as maiores reservas, com 800 pontos base, enquanto os bancos dos países nórdicos e do Reino Unido mantêm posições mais restritas, com 230 e 210 pontos base, respetivamente», refere a agência.

Os bancos espanhóis continuam a apresentar o rácio CET1 médio mais baixo da amostra, de 13,1%.

Em comparação com o final de 2025, os rácios CET1 registaram ligeiras descidas na maioria dos países no primeiro semestre de 2026, refletindo o aumento dos dividendos contabilizados para distribuição, o crescimento do crédito e a realização de aquisições.

Segundo a DBRS, «a rendibilidade dos bancos europeus revelou-se mais resiliente do que esperávamos quando o Banco Central Europeu (BCE) começou a reduzir as taxas de juro, em junho de 2024. Os mecanismos de cobertura estrutural do risco de taxa de juro, o crescimento do crédito, a diversificação das receitas através de comissões e outros serviços, bem como um custo do risco reduzido, compensaram largamente a pressão sobre a margem financeira».

A rendibilidade média dos capitais próprios (ROAE) melhorou em todos os países entre o exercício de 2022 e o primeiro semestre de 2026, com exceção da Grécia, onde fatores pontuais contribuíram para inflacionar a rendibilidade em 2022.

Os bancos espanhóis registaram a rendibilidade média anualizada dos capitais próprios mais elevada no primeiro semestre de 2026 (16,6%), seguidos pelos bancos dos países nórdicos (14,3%), italianos (14,1%) e britânicos (13,8%). Os bancos portugueses registaram uma rendibilidade na ordem dos 13% no primeiro semestre do ano.

Os bancos franceses, irlandeses e alemães continuam a apresentar uma rendibilidade inferior à dos seus congéneres europeus, embora os bancos alemães tenham registado uma melhoria do ROAE para 10,2% no primeiro semestre de 2026, face aos 6% registados no exercício de 2022.

Ao contrário do que aconteceu entre o final de 2020 e o final de 2024, período durante o qual os bancos da Grécia, de Itália e de Portugal reduziram os ativos ponderados pelo risco (RWA), diminuindo a sua exposição ao risco, todos os países incluídos na amostra registaram um aumento destes ativos entre o final de 2022 e o primeiro semestre de 2026.

O total dos ativos ponderados pelo risco aumentou cerca de 10% entre o final de 2022 e o final de junho de 2026, refletindo uma combinação do crescimento do crédito com a realização de aquisições.

A Grécia registou o maior aumento (+18%), impulsionado pelo forte crescimento do crédito e pelas aquisições, seguida de Itália (+14%), onde a consolidação do setor bancário foi o principal fator explicativo.

O crescimento dos ativos ponderados pelo risco foi mais moderado nos Países Baixos (+5%), na Alemanha (+6%) e em Portugal (+7%).

Os bancos incluídos na amostra da DBRS distribuíram mais de 81 mil milhões de euros em dividendos em dinheiro relativos aos lucros de 2025, o que representa um aumento de 8% face ao ano anterior e de 28% em comparação com 2023.

Se forem incluídas as recompras de ações, que os bancos continuam a utilizar de forma significativa para remunerar os acionistas, o montante total distribuído é ainda mais elevado.

A Alemanha (+42%), a Grécia (+36%) e Itália (+27%) registaram os maiores crescimentos homólogos dos dividendos pagos a partir dos lucros de 2025. Os bancos britânicos e neerlandeses foram os únicos a reduzir os dividendos.

Os rácios médios de distribuição de dividendos aumentaram novamente em 2025 na maioria dos países, com os bancos dos países nórdicos (80%) e os italianos (72%) a apresentarem os valores mais elevados.

Na Grécia, os rácios de distribuição aumentaram para cerca de 37%, face aos 20% registados em 2023, à medida que os bancos prosseguiram a normalização da remuneração dos acionistas.

Os rácios médios de distribuição em França e nos Países Baixos continuam a ser mais baixos, em parte porque os grupos cooperativos incluídos na amostra não distribuem dividendos da mesma forma que os bancos cotados em bolsa.

Em Portugal, o rácio de distribuição de dividendos em 2025 foi de cerca de 37%, ligeiramente abaixo dos 39% registados em 2024.

«Esperamos que as distribuições aos acionistas permaneçam elevadas nos próximos anos, embora o seu crescimento deva abrandar à medida que a rendibilidade regresse a níveis mais normalizados e os bancos atinjam progressivamente os seus objetivos internos de capital. Este processo decorrerá em paralelo com a realização de operações de fusões e aquisições (M&A) e com a absorção dos efeitos regulamentares adversos ainda decorrentes da atualização do quadro de requisitos de capital CRR3», refere a DBRS.

Os requisitos médios do Pilar 2 (P2R) tornaram-se ligeiramente menos exigentes. De acordo com os dados do Banco Central Europeu, atualizados pela última vez em fevereiro de 2026, os P2R diminuíram em 2026 face a 2025 em sete dos nove países analisados, sobretudo na Alemanha, na Grécia, em Itália e em Portugal. Apenas em França e nos Países Baixos se registaram ligeiros aumentos. Esta evolução contrasta com a tendência de estabilidade ou de subida observada entre 2023 e 2025.

Embora os requisitos médios do Pilar 2 tenham diminuído, os requisitos globais de capital dos bancos europeus aumentaram, em média, uma vez que o benefício decorrente da redução dos P2R foi mais do que compensado pelo aumento dos requisitos combinados de reservas de fundos próprios, em particular das reservas contracíclicas de capital.

«As significativas margens de capital CET1 dos bancos europeus proporcionam uma ampla capacidade para absorver perdas, embora se espere que os rácios de capital regressem gradualmente a níveis mais normalizados», afirma a DBRS.

Os principais riscos em sentido descendente estão relacionados com a incerteza geopolítica e geoeconómica, que poderá enfraquecer o crescimento económico e deteriorar a qualidade dos ativos.

A rendibilidade resiliente deverá continuar a sustentar a capitalização dos bancos. No entanto, a distribuição de resultados aos acionistas poderá ser condicionada pelo crescimento do crédito, por requisitos regulamentares mais elevados e pelas necessidades de capital associadas a operações de fusões e aquisições.

«O alargamento dos diferenciais de rendibilidade da dívida soberana poderá pressionar os rácios CET1 através de perdas de justo valor. Contudo, o impacto deverá permanecer controlável, tendo em conta as elevadas carteiras de dívida pública detidas pelos bancos e contabilizadas ao custo amortizado», conclui a DBRS.

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