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Banco de Portugal diz que crédito pessoal contratado através de intermediários é mais caro do que diretamente nos bancos
Presidente da ANICA afirma que "é um erro a banca achar que o intermediário de crédito não é importante"
07 Ago 2026 - 17:00
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Foto: Banco de Portugal
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Foto: Banco de Portugal
O Banco de Portugal revelou nesta sexta-feira que “os créditos pessoais contratados através de intermediários de crédito têm uma taxa de juro mais elevada do que diretamente nas instituições financeiras”. Na rubrica “Economia numa Imagem”, divulgada na rede social LinkedIn, o supervisor mostra que a diferença da Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG) entre um contrato de crédito pessoal celebrado através de intermediários de crédito e diretamente no banco é, em média, 1,2 pontos percentuais mais elevada, e no crédito automóvel é, em média, de 0,1 pontos percentuais.
O período da amostra é de janeiro de 2021 a dezembro de 2025 e compreendeu 608.110 observações para o crédito pessoal e 120.156 para o crédito automóvel.
A entidade liderada por Álvaro Santos Pereira refere que “os resultados obtidos para o crédito pessoal devem ser interpretados como uma associação e não como uma evidência de que o recurso a intermediários conduz necessariamente a taxas de juro mais elevadas”.

Imagem divulgada pelo Banco de Portugal
Antes da divulgação destes números, o Jornal PT50 falou com Tiago Vilaça, presidente da Associação Nacional dos Intermediários de Crédito Autorizados (ANICA), e abordou o tema das diferentes condições de crédito dadas diretamente pelos bancos e pelos intermediários, seja no crédito ao consumo, seja especialmente no crédito à habitação.
“A Autoridade da Concorrência (AdC) recomendou recentemente ao regulador que existisse uma igualdade de condições entre bancos e intermediários de crédito”, refere o presidente da ANICA, que acrescenta: “Isto é um triângulo harmonioso, onde os intermediários não desenvolvem produtos de crédito. Precisamos dos bancos para desenvolver produtos de crédito. Nós não estamos autorizados a desenvolver produtos de crédito. Por outro lado, os bancos deixaram de ter custos fixos avultados. Nós sempre olhámos para os bancos como parceiros importantes. Porquê? Porque, na minha opinião, mais bancos, mais oferta, maior concorrência, melhor serviço para o consumidor.”
Segundo o presidente da ANICA, a diferença nas condições de concessão de crédito entre bancos e intermediários de crédito agravou-se durante este ano: “a banca não perdeu a relação com o cliente, mas ela transferiu-se em grande escala para a intermediação de crédito.” E explica esse movimento com a “disponibilidade de acompanhamento. A banca também pode acompanhar o cliente, não é isso que está em causa, mas é preciso compreender que o consumidor precisa de comparabilidade”.
Para Tiago Vilaça, “é assumido pelo regulador e é assumido pela AdC que a intermediação de crédito vem fomentar a concorrência e a oferta”, mas tudo radica na falta de tempo que as pessoas têm para ir ao banco.
“É um erro se a banca achar que o intermediário de crédito não é importante, tal como eu sei que os bancos são muito importantes para nós. Portanto, há aqui uma complementaridade”, acrescenta aquele responsável.
Segundo o presidente da ANICA, é preciso “compreender: cada banco tem, e tem todo o direito, a sua estratégia de risco e a sua estratégia comercial de rede. Temos bancos que reduziram imenso o número de agências e temos outros que reduziram o quanto bastou. Temos bancos que tinham muitas agências e entendiam que não podiam trabalhar com os intermediários de crédito porque não precisavam, tinham os seus gestores profissionais, e hoje estão a começar a introduzir os intermediários de crédito paulatinamente na sua estrutura, porque compreendem que realmente podem chegar mais longe. E temos aqueles que esvaziaram as redes a nível nacional, que estão a tentar trazer os clientes para dentro de portas com condições mais favoráveis”.
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