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Pierrakakis: “No que diz respeito à introdução do euro digital, cada mês conta”

Presidente do Eurogrupo foi à Comissão dos Assuntos Económicos do Parlamento Europeu avisar que a digitalização da moeda única é um desafio que a UE não pode perder.

05 Mai 2026 - 15:46

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Kyriakos Pierrakakis presidente do EurogrupoFoto Parlamento Europeu

Man in a dark suit and gray tie speaks at a European Parliament briefing, blue backdrop with EU flag.

Kyriakos Pierrakakis presidente do EurogrupoFoto Parlamento Europeu

Numa intervenção que muitos eurodeputados consideraram “uma das melhores ouvidas no Parlamento Europeu”, Kyriakos Pierrakakis deslocou-se nesta terça-feira à Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários para defender que a Europa não pode dar-se ao luxo de perder o desafio do euro digital.

A digitalização das finanças mundiais já entrou em velocidade de cruzeiro e o presidente do Eurogrupo afirmou aos eurodeputados que “parece-me que a necessidade atual de um euro digital é abundantemente clara. Se não construirmos soluções europeias, vamos importá-las, juntamente com as dependências que elas trazem consigo”.

“A criação de um euro digital permite-nos assegurar a soberania monetária e reforça o desenvolvimento de novos meios de pagamento”, afirmou Pierrakakis, acrescentando: “é fundamental termos um euro digital o mais depressa possível. Deixem-me ser absolutamente claro nesta matéria: não é uma questão de anos, é uma questão de meses”.

Para o responsável, o processo de digitalização financeira em curso é fundamental para assegurar a relevância e o papel da moeda única no futuro. “Um euro forte significa uma Europa forte no mundo”.

Para ilustrar o posicionamento das outras grandes potências no que diz respeito à digitalização das finanças globais, Kyriakos Pierrakakis afirmou: “já vimos que os americanos não vão digitalizar o dólar, vão utilizar as stablecoins. Trata-se de uma questão cultural. Optaram por uma componente privada de inovação financeira. Os chineses fizeram uma escolha precisamente oposta: vão digitalizar a sua moeda e proibir as stablecoins”. E acrescentou: “a aposta europeia no euro digital pode ser uma grande vantagem. Estive em Washington e falei com especialistas que me disseram: ‘vocês podem ter uma vantagem com o euro digital… façam-no o mais rapidamente possível’”.

O presidente do Eurogrupo reafirmou ainda a ideia de que “a Europa não tem falta de poupança, mas há demasiadas poupanças europeias investidas noutras jurisdições”.

“A Europa não é fraca. Simplesmente não investe o suficiente em si própria, e isso é algo que temos de corrigir rapidamente”, afirmou.

“O pacote da União da Poupança e do Investimento é composto por várias iniciativas. Se tivesse de eleger as que deveriam avançar mais rapidamente, uma das primeiras seria o euro digital e outra a revitalização da União Bancária. Precisamos de bancos europeus maiores e mais fortes, que invistam mais em tecnologia, à semelhança do que estão a fazer os bancos chineses e americanos”, concluiu o presidente do Eurogrupo.

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