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Socialistas querem meios eletrónicos de pagamento obrigatórios em todas as transações comerciais
Deputados do PS consideram que pagar em dinheiro facilita a evasão fiscal, na medida em que permite ao vendedor ocultar transações
05 Mai 2026 - 13:37
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Carlos César, presidente do PS e José Luís Carneiro, secretário-geral/Foto: PS/José António Rodrigues
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Carlos César, presidente do PS e José Luís Carneiro, secretário-geral/Foto: PS/José António Rodrigues
Os deputados do Partido Socialista (PS) deram entrada esta semana no Parlamento com um projeto de resolução (n.º 902/XVII) que recomenda ao Governo que promova a disponibilização obrigatória de meios eletrónicos de pagamento nas transações comerciais, a par da possibilidade de pagamento em numerário.
Segundo os parlamentares, “o recurso aos pagamentos em dinheiro facilita a evasão fiscal, na medida em que permite ao vendedor ocultar transações, ao passo que os pagamentos eletrónicos asseguram a rastreabilidade das operações e dificultam, por isso, a fuga ao pagamento de impostos”.
Os socialistas invocam a Lei n.º 92/2017, de 22 de agosto, que aditou à Lei Geral Tributária uma norma sobre a proibição de pagamentos em numerário que, entre outras disposições, estabelece que é proibido pagar ou receber em numerário em transações de qualquer natureza que envolvam montantes iguais ou superiores a 3.000 euros.
“Todavia, existe evidência empírica que sugere que o recurso a pagamentos em dinheiro em transações de menor valor pode igualmente carecer de algum tipo de regulação, desde logo porque a utilização mais frequente de meios eletrónicos de pagamento tende a estar associada a menores níveis de evasão fiscal em sede de IVA”, referem na proposta de resolução.
Contextualizando, os socialistas referem que “em Portugal, os dados do Banco Central Europeu indicam que 54% das transações realizadas em 2024 foram feitas em dinheiro, a oitava proporção mais elevada entre os países analisados. As preferências dos consumidores parecem afastar-se ainda mais desta realidade: apenas 18% dos portugueses dizem preferir pagar em dinheiro, enquanto 60% preferem pagar com cartão”.
“Na zona euro, 89% dos pontos de venda disponibilizam pelo menos uma opção de pagamento eletrónico. Portugal está em linha com a média da zona euro, com 88% dos pontos de venda a disponibilizar esses meios. Ao mesmo tempo, os dados divulgados pelo Banco Central Europeu indicam que, tanto na média da zona euro como em Portugal, 71% das pessoas referem que nem sempre os estabelecimentos aceitam o seu método de pagamento preferencial. Na maioria dos casos, estas situações estão associadas à não aceitação de meios de pagamento eletrónicos, sendo que, nalguns casos, a sua utilização é limitada a transações acima de determinado limiar”, acrescentam.
Face a estas circunstâncias, os deputados socialistas recomendam ao Governo que “consagre, no quadro do novo regime jurídico dos serviços de pagamento e da moeda eletrónica, a obrigatoriedade de disponibilizar meios de pagamento eletrónicos nas transações comerciais”.
Esta modalidade de pagamento “não pode, em caso algum, implicar custos adicionais para o consumidor”.
Os deputados recomendam ainda a existência de “um período transitório não inferior a 12 meses, durante o qual as microempresas ficam excluídas da obrigatoriedade de disponibilizar meios de pagamento eletrónicos”.
Por último, recomendam que o Executivo “implemente uma estratégia de apoio à transição para os meios eletrónicos de pagamento por parte dos pequenos comerciantes, incluindo, desde logo, a isenção das taxas de intercâmbio nas operações de baixo valor”.
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