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Regulamentação retira capacidade de financiamento dos bancos europeus
Consultora comparou efeitos nos 19 maiores bancos internacionais e assinala divergências entre os dois grandes modelos regulamentares
18 Ago 2026 - 15:57
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Foto: Adobe Stock/diy13
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A regulamentação retira 1,3 biliões de euros à capacidade de financiamento do setor bancário europeu, agravando a desvantagem competitiva dos bancos da União Europeia (UE) face aos norte-americanos, concluiu um relatório da consultora Alvarez & Marsal.
De acordo com o relatório “Bank Deregulation Primer”, o reforço dos requisitos de capital na UE poderá reduzir em 1,3 biliões de euros a capacidade de balanço do setor bancário europeu, limitando o financiamento da economia e a capacidade dos bancos europeus para competir com os concorrentes norte-americanos.
A capacidade de balanço no setor bancário refere-se à capacidade de um banco de gerir riscos financeiros e operacionais, mantendo uma estrutura de capital adequada para absorver perdas e apoiar operações.
A consultora analisou o impacto das alterações regulamentares nos 19 maiores bancos internacionais, comparando os efeitos previstos ao nível do capital, capacidade de financiamento, rentabilidade e competitividade nos Estados Unidos, UE, Reino Unido e Suíça.
Segundo a Alvarez & Marsal, depois de anos de convergência regulamentar na sequência da crise financeira de 2008, as principais jurisdições estão agora a seguir estratégias cada vez mais divergentes.
Enquanto os Estados Unidos avançam para a flexibilização de parte do quadro regulamentar e o Reino Unido também está a rever as regras aplicáveis ao setor, a Europa mantém uma abordagem mais exigente em matéria de requisitos de capital, com a implementação do rácio de capital CET1 fully loaded restated (CRR3) – o regulamento europeu que estabelece os requisitos de capital aplicáveis aos bancos – e a aplicação das normas internacionais de Basileia III.
A aplicação do CRR3 deverá aumentar em 109 pontos base as necessidades de capital dos grandes bancos europeus analisados, sendo que os sete maiores terão de mobilizar cerca de 39 mil milhões de euros de capital adicional para cumprirem os novos requisitos regulamentares.
Em sentido contrário, as medidas de desregulamentação em discussão nos Estados Unidos poderão libertar cerca de 160 pontos base de capital CET1 (medida de capital de maior qualidade dos bancos) e 113 pontos base nos requisitos de alavancagem, o equivalente a aproximadamente 2,5 biliões de dólares de capacidade adicional para financiar empresas e famílias, reforçar a atividade nos mercados de capitais e melhorar a rentabilidade dos bancos.
No Reino Unido, onde também decorre uma revisão regulamentar, as alterações poderão libertar cerca de 75 pontos base de capital CET1 e gerar até 400 mil milhões de dólares adicionais de capacidade de balanço.
O relatório sustenta que a divergência entre os modelos regulamentares já começa a refletir-se na capacidade de crescimento, na rentabilidade e na atratividade dos bancos junto dos investidores.
À medida que a Europa reforça os requisitos aplicáveis às instituições bancárias, estas enfrentam maiores limitações na utilização dos balanços, o que poderá reduzir a capacidade para conceder crédito a empresas e famílias, segundo a consultora.
Em contrapartida, os bancos norte-americanos beneficiariam de uma maior capacidade para crescer, aumentar a rentabilidade e ganhar quota de mercado em atividades intensivas em balanço, como o financiamento empresarial e os mercados de capitais, devido a uma abordagem regulamentar mais flexível.
A Alvarez & Marsal estima ainda que a rentabilidade sobre o capital tangível (ROTCE) dos grandes bancos norte-americanos possa aumentar 6% até ao final de 2027.
Segundo a consultora, caso a Europa e os Estados Unidos mantenham as atuais tendências regulamentares, o fosso competitivo entre os respetivos sistemas bancários poderá continuar a aumentar nos próximos anos, com consequências para a capacidade de financiamento da economia europeia.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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