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Riscos cibernéticos são a principal preocupação do supervisor dos seguros e fundos de pensões
ASF prevê um agravamento das ameaças nos próximos 12 meses, enquanto as seguradoras consideram mais graves os riscos de liquidez
30 Out 2026 - 16:03
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Gabriel Bernardino presidente da ASF nas Top TalksFoto Melissa Dores
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Gabriel Bernardino presidente da ASF nas Top TalksFoto Melissa Dores
A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) publicou nesta sexta-feira os resultados do inquérito RiskOutlook, com as respostas das empresas de seguros (ES) e das entidades gestoras de fundos de pensões (EGFP), com data de referência de 30 de junho de 2026, sobre a avaliação dos riscos a que estão expostas em cada momento de avaliação.
Para a entidade liderada por Gabriel Bernardino, os riscos cibernéticos foram considerados aqueles que podem ter maior impacto, tanto na atividade seguradora como na gestão dos fundos de pensões.
No segmento dos seguros, «o ambiente macroeconómico e os riscos de natureza cibernética foram apontados como os fatores com maior impacto no desempenho da atividade seguradora».
«Num horizonte de um ano, prevê-se um agravamento mais acentuado dos riscos geopolíticos, dos riscos de segurança cibernética e dos riscos associados à evolução das taxas de juro», refere a ASF.
«Quer nos ramos Vida, quer nos ramos Não Vida, a evolução da produção surge como o principal fator de risco», refere o supervisor, que acrescenta que as «maiores divergências na avaliação por classe de risco entre as empresas de seguros e a ASF incidem nos riscos de mercado e nos riscos de digitalização e cibernéticos, aos quais a ASF atribui maior materialidade potencial, e nos riscos de liquidez, aos quais as seguradoras atribuem maior severidade potencial».
Na vertente da gestão dos fundos de pensões, a ASF considera também que «os riscos geopolíticos, o panorama de taxas de juro e os riscos de segurança cibernética foram os mais relevantes para o desempenho do setor».
«Para os próximos 12 meses, projeta-se um reforço da relevância dos riscos geopolíticos, do enquadramento macroeconómico internacional e dos riscos de segurança cibernética», acrescenta o regulador.
No setor dos fundos de pensões, a ASF atribui maior materialidade potencial aos riscos de mercado e aos riscos de digitalização e cibernéticos. Por sua vez, as entidades gestoras consideram mais severos os riscos associados aos fundos que financiam planos de contribuição definida e de benefício definido, bem como os riscos de rendibilidade e solvabilidade das próprias entidades gestoras de fundos de pensões.
A entidade liderada por Gabriel Bernardino considera ainda que, no que respeita à implementação do Regulamento Europeu da Resiliência Operacional Digital (DORA), criado para reforçar a segurança informática e a capacidade de resistência das instituições financeiras perante ciberataques, falhas tecnológicas e interrupções dos serviços digitais, as companhias de seguros poderiam estar mais avançadas.
A ASF refere, no seu RiskOutlook, que as seguradoras e as entidades gestoras de fundos de pensões «reportam um grau de maturidade globalmente moderado, subsistindo, contudo, oportunidades de melhoria em domínios críticos, designadamente na realização de testes de resiliência operacional digital e na gestão do risco associado a prestadores de serviços TIC».
«A heterogeneidade dos resultados evidencia diferentes níveis de preparação entre entidades, refletindo distintas fases de implementação e a necessidade de consolidação de algumas práticas e mecanismos de controlo», adianta a ASF.
O supervisor refere que «as principais lições retiradas dos exercícios já efetuados apontam para desafios recorrentes relacionados com os tempos de recuperação, a eficácia das estratégias de cópias de segurança, a gestão da comunicação em contexto de crise, os mecanismos de governação e os controlos de gestão de acessos. Neste contexto, importa continuar a promover o reforço das capacidades de resposta e recuperação face a incidentes operacionais e cibernéticos».
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