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S&P diz que exposição de bancos europeus a instituições financeiras não bancárias “está controlada”
Agência de rating analisou oito grandes instituições financeiras e concluiu que a exposição representa, em média, 4% da exposição total ao risco
14 Set 2026 - 15:30
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Foto: Barclays
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A agência de rating S&P Global Ratings analisou a exposição de oito grandes bancos europeus — Barclays, BNP Paribas, Deutsche Bank, Société Générale, Santander, Lloyds, UniCredit e ING — ao crédito concedido a instituições financeiras não bancárias e concluiu que a exposição securitizada ao financiamento não bancário «está controlada».
A análise da S&P divulgada nesta segunda-feira exclui empréstimos sem garantia concedidos a fundos de dívida privada e a instituições financeiras não bancárias, bem como empréstimos garantidos por encargos seniores flutuantes, como uma linha de crédito rotativo super-sénior. «Da mesma forma, certos produtos de crédito para prestadores de capital privado — por exemplo, financiamento com base no valor patrimonial líquido (VPL) para private equity — não são securitizados e, portanto, são excluídos da nossa análise», acrescenta a S&P.
A exposição à securitização junto de instituições financeiras não bancárias representa, em média, 4% da exposição total ao risco de crédito do grupo de oito grandes bancos.
Essa exposição abrange empréstimos estruturados baseados em dívida privada não cotada em bolsa concedidos a empresas, bem como empréstimos não bancários a mutuários de retalho e comerciais. Em operações de securitização, os bancos atuam como patrocinadores, fornecendo liquidez, ou como investidores, adquirindo a posição de financiamento estruturado de um terceiro organizador.
A maioria destas transações ocorre nas parcelas mais séniores da estrutura de securitização. Por exemplo, o Société Générale reportou que 96% da securitização de patrocinadores/investidores na sua carteira bancária está concentrada nas tranches mais séniores de veículos estruturados.
«Em financiamentos estruturados, os balanços dos bancos desempenham um papel importante no financiamento de instituições não bancárias.» Para o maior credor da amostra analisada pela S&P, o Barclays, «as exposições de securitização a instituições não bancárias representam cerca de 12% do total das exposições de crédito. As garantias nessas transações variam de empréstimos corporativos a exposições comerciais de retalho e outras, incluindo créditos de curto prazo e imóveis comerciais».
De acordo com a S&P, «os prestadores de serviços são um elo importante entre instituições não bancárias e os bancos. Ao gerirem contas bancárias, garantias, relatórios e fluxos de caixa, fornecem a estrutura operacional necessária para que estas transações funcionem. O financiamento bancário, especialmente o financiamento securitizado, para instituições não bancárias não seria possível sem eles».
«A falência de prestadores de serviços pode representar riscos para o modelo de financiamento garantido por bancos, comprometendo a integridade da base de empréstimos», refere a agência de rating, acrescentando que a «falência do prestador de serviços pode aumentar significativamente a alavancagem real de uma operação. Em condições operacionais padrão, isso acarretaria o incumprimento de cláusulas contratuais e exigiria que o originador adicionasse mais ativos ao veículo para restabelecer os índices de cobertura exigidos».
A S&P adverte que «em cenários mais graves — como os que envolvem fraude — uma erosão significativa da base de empréstimos pode levar à insolvência e à liquidação. Isso cristaliza as perdas para os credores se o valor real da garantia for significativamente inferior ao estimado».
Em casos recentes de fraude, como os da Tricolor e da First Brands, a empresa prestadora de serviços era uma afiliada da empresa originadora. Em ambos os casos, a entidade responsável pela origem dos ativos também manteve um controlo significativo sobre as garantias, as cobranças e os fluxos de caixa.
Esta estrutura não é necessariamente atípica. A independência dos prestadores de serviços varia em todo o setor. Embora muitos contratos utilizem terceiros independentes, outros concentram a originação da dívida, a prestação de serviços e a elaboração de relatórios num único grupo empresarial, um fator que contribuiu para as falências da Tricolor e da First Brands.
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