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Um novo ativo precioso: a qualidade da informação

Por, Miguel Alexandre Ganhão, Diretor do Jornal PT50

08 Ago 2026 - 07:30

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Miguel Alexandre Ganhão, Editor-executivo Jornal PT50

Miguel Alexandre Ganhão, Editor-executivo Jornal PT50

A qualidade dos ativos de um banco é fundamental para o êxito do seu negócio. Ter uma carteira sólida no balanço não só é uma garantia de segurança, como potencia estratégias de risco mais ambiciosas e, por consequência, mais lucrativas.

O crédito que concedem aos seus clientes é, normalmente, a rubrica mais importante do lado dos ativos de um banco. Mas para que essa parcela seja constituída por negócios saudáveis e rentáveis, existe um outro ativo que vem ganhando importância: a qualidade da informação.

O tratamento e a análise dos grandes dados (“Big Data”) são cruciais para o futuro do negócio bancário. Sem esta ferramenta não haverá uma boa gestão do risco de crédito, não haverá um combate eficaz à fraude e ao branqueamento, não se conseguem cumprir as crescentes exigências regulatórias, não se consegue um acompanhamento eficaz das necessidades do cliente.

O bom tratamento dos dados que o próprio setor bancário gera é uma condição fundamental para o êxito do negócio no presente e uma questão de vida ou morte no futuro.

Esta reflexão foi desencadeada pelo recente relatório da Autoridade Bancária Europeia (EBA) sobre o “painel de controlo de riscos ESG”, onde aquele supervisor destaca as “melhorias graduais na disponibilidade e qualidade dos dados relacionados com o clima, particularmente para avaliações de eficiência energética de carteiras de crédito imobiliário, apoiando uma monitorização mais robusta do risco climático no setor bancário”.

Já não é só o risco de crédito que o cliente apresenta que faz a diferença. É o risco climático que envolve o investimento, seja ele particular ou empresarial. Esta ponderação, como diz a EBA, da eficiência energética de um imóvel para a concessão de crédito à habitação, está a ser generalizada em todo o setor bancário para todo o tipo de negócios.

Cabe aqui também uma palavra sobre o último exercício do Banco Central Europeu (BCE), que colocou à prova a imaginação e a competência das várias administrações dos bancos europeus. Com efeito, o teste de stress inverso relativo aos riscos geopolíticos constituiu uma “novidade” ao nível do setor.

Desta vez não foi o supervisor a definir os parâmetros do exercício. O que se pediu foi às administrações que concebessem um cenário de instabilidade geopolítica que impactasse numa redução de 300 pontos base do rácio de fundos próprios principais de nível 1 (Common Equity Tier 1 – CET1).

Deixados à solta na modulação de eventos tão extremos que levassem ao resultado definido, os Conselhos de Administração de 110 instituições financeiras da zona euro comportaram-se de modo diverso. Enquanto alguns carregaram nos efeitos adversos, imaginando cenários de conflito aberto dentro das fronteiras europeias, outros foram mais “brandos” na conceção daquelas realidades, mostrando consequências “demasiado otimistas” nos seus balanços, tal como advertiu o BCE.

A qualidade da informação é hoje um dos ativos mais valiosos de qualquer banco. A capacidade de ter meios humanos e tecnológicos que consigam analisar os grandes dados, extraindo daí padrões e tendências reais, é o segredo do sucesso.

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