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Volume de negócios na construção atinge os 43,5 mil milhões de euros
Banco de Portugal faz radiografia do setor. Existem hoje mais empresas, são mais rentáveis e têm mais trabalhadores do que há 20 anos, mas representam uma parcela menor da economia portuguesa
04 Nov 2026 - 11:41
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O Banco de Portugal divulgou, nesta quarta-feira, uma radiografia do setor da construção em Portugal, numa altura em que a questão da habitação está na ordem do dia. Segundo os dados divulgados pelo banco central, «entre 2006 e 2016, as empresas de construção perderam quase metade da sua faturação. Desde então, o volume de negócios mais do que duplicou, atingindo, em termos nominais, 43,5 mil milhões de euros no segundo trimestre de 2026».
O organismo liderado por Álvaro Santos Pereira refere que «a recuperação foi transversal a todos os subsetores — com destaque para a construção de edifícios — e a todas as classes de dimensão», acrescentando que «o número de empresas acompanhou a recuperação da atividade. Depois de atingir um mínimo em 2016, voltou a crescer, ultrapassando atualmente os níveis pré-crise».
«Existem hoje cerca de 64 mil empresas de construção em Portugal, mantendo-se a predominância das microempresas», refere o estudo. As empresas são também hoje mais rentáveis. «Em 2025, a rendibilidade do ativo e a rendibilidade dos capitais próprios atingiram os valores mais elevados da série analisada — 10% e 13%, respetivamente —, superando os valores observados no conjunto das empresas não financeiras», refere o Banco de Portugal.
A autonomia financeira das empresas de construção também melhorou. Este indicador, que mede a proporção dos ativos financiada por capitais próprios, aumentou gradualmente, atingindo 39% em 2025.
Uma das melhorias mais expressivas observa-se na qualidade do crédito bancário, refere o documento, salientando que «em 2015 e 2016, o rácio de crédito vencido das empresas de construção, que mede a proporção do crédito bancário com pagamentos em atraso no total do crédito concedido, atingiu 32%. Desde então, diminuiu acentuadamente, situando-se em 2% no segundo trimestre de 2026».
«Esta evolução acompanhou a melhoria dos restantes indicadores financeiros do setor. Ainda assim, o rácio de crédito vencido na construção permanece superior ao observado na generalidade das atividades económicas», adianta o banco central.
Segundo o Banco de Portugal, «o crescimento foi mais acentuado na construção de edifícios, o subsetor que mais empresas tinha perdido na sequência da crise financeira internacional (2008) e da crise da dívida soberana (a partir de 2011). Seguiram-se as atividades especializadas de construção. Já na engenharia civil, o número de empresas não se alterou significativamente».
Em conclusão, o banco central refere que «a construção recuperou da crise. Contudo, não regressou simplesmente à situação de há duas décadas. A dimensão do setor, a composição do emprego e a situação financeira das empresas mudaram, refletindo uma transformação que foi além da recuperação da atividade».
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