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Banco central chinês promete mais apoio aos mercados bolsistas após pior mês em mais de uma década

Pedidos de financiamento dos bancos para operações de recompra de ações totalizaram 26 mil milhões de euros

04 Nov 2026 - 11:22

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Foto Adobe Stockvegefoxcom

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O banco central chinês prometeu, nesta quarta-feira, adotar novas medidas para estimular os mercados financeiros, depois de as iniciativas anteriores não terem conseguido inverter a tendência negativa das bolsas chinesas, que registaram, em outubro, o pior desempenho mensal em mais de uma década.

O governador do Banco do Povo da China, Pan Gongsheng, apresentou anteriormente um relatório à liderança da Assembleia Nacional Popular, o órgão legislativo máximo do país, no qual anunciou a «implementação eficaz de instrumentos de política monetária» para fazer face aos riscos financeiros em setores fundamentais, como os mercados de capitais e o fragilizado setor imobiliário.

Na sequência destas declarações, o banco central anunciou ter recebido dos bancos pedidos de financiamento no valor de cerca de 30 mil milhões de dólares (mais de 26 mil milhões de euros), no âmbito de um programa destinado a apoiar operações de recompra de ações.

A partir desta quarta-feira, a taxa de juro aplicada a este mecanismo será reduzida em 0,25 pontos percentuais, para 1%, com o objetivo de facilitar as operações de recompra de ações, frequentemente utilizadas em períodos de queda dos mercados.

A instituição explicou que pretende «acelerar a concessão de financiamento e reforçar a capacidade das empresas cotadas e dos seus principais acionistas para gerir a capitalização bolsista».

Esta semana, o banco central realizou também a primeira operação de permuta de ativos (swap) deste ano, através do mecanismo SFISF, criado em 2024 para apoiar indiretamente a aquisição de ações por investidores institucionais, mediante a troca de ativos menos líquidos por outros com maior liquidez.

A operação envolveu cerca de 15 mil milhões de dólares (mais de 13 mil milhões de euros), quase o dobro do montante da operação anterior, realizada em janeiro de 2025, e contou com a participação de 31 instituições financeiras, face às 20 registadas na operação precedente.

De acordo com a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, várias empresas tecnológicas de referência, como a CXMT, a Cambricon e a AMEC, divulgaram entretanto comunicados nos quais reafirmaram a confiança nas perspetivas do setor, anunciando programas de recompra de ações ou novos investimentos em investigação e desenvolvimento (I&D).

Um dos principais fatores que têm penalizado as bolsas chinesas nas últimas semanas é o receio dos investidores quanto à rendibilidade dos elevados investimentos em inteligência artificial (IA).

O setor impulsionou fortemente os mercados nos meses anteriores, num período marcado pela entrada em bolsa de empresas tecnológicas com valorizações iniciais superiores a 100%.

Segundo analistas, as medidas de apoio anunciadas pelas autoridades dificilmente permitirão uma recuperação sustentada das bolsas chinesas enquanto não forem resolvidos problemas estruturais, nomeadamente os relacionados com a capacidade das empresas para gerar lucros.

O índice CSI 300, que reúne as 300 principais empresas cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, acumula uma desvalorização de 15% desde o início do ano, enquanto o índice norte-americano S&P 500 regista uma valorização de 10% no mesmo período.

Em outubro, o CSI 300 caiu 8,5%, naquela que foi a sua pior prestação mensal em mais de uma década.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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