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46% da Geração Z em Portugal falhou o pagamento de contas por falta de dinheiro em 2025

No Dia Mundial da Juventude, estudo da Intrum mostra que os jovens entre os 18 e os 27 anos são o grupo geracional mais vulnerável financeiramente

12 Ago 2026 - 12:26

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Cerca de 423 da população universitária manifesta alguma aversão ao risco financeiroFoto Magnific

Four young adults sitting on outdoor steps, reading books together with backpacks nearby.”,

Cerca de 423 da população universitária manifesta alguma aversão ao risco financeiroFoto Magnific

No Dia Mundial da Juventude, que se comemora nesta quarta-feira graças à recomendação da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, realizada precisamente em Lisboa, Portugal, entre 8 e 12 de agosto de 1998, um estudo da Intrum mostra que os jovens portugueses enfrentam “um cenário de fragilidade económica e emocional”.

Segundo o estudo, a Geração Z (jovens entre os 18 e os 27 anos) destaca-se como o grupo geracional mais vulnerável financeiramente, acumulando sinais de ansiedade, falta de preparação e contenção nas decisões que moldam o futuro.

Cerca de 46% dos inquiridos desta geração afirmam ter falhado o pagamento de contas por falta de dinheiro em 2025, um aumento significativo face aos 28% registados em 2024. Esta evolução revela uma crescente vulnerabilidade financeira, com impacto direto na estabilidade e autonomia desta faixa etária.

Este ambiente de instabilidade traduz-se numa perceção generalizada de insegurança. Mais de metade dos jovens (52%) admite sentir ansiedade sempre que acompanha notícias sobre a economia, um valor que os posiciona entre os mais sensíveis às flutuações económicas.

Esta inquietação tem consequências concretas: 78% da Geração Z afirma sentir-se apreensiva quanto à possibilidade de realizar compras de elevado valor, como a aquisição de casa própria ou de um automóvel, o valor mais elevado entre todas as faixas etárias analisadas.

O impacto dos últimos anos é profundo e persistente: 69% da Geração Z afirma que o aumento do custo de vida teve um efeito negativo permanente no seu bem-estar financeiro. Esta é a geração mais afetada por este fenómeno em Portugal, onde a média geral é de 62%.

Apesar desta preocupação, os jovens revelam sinais de responsabilidade financeira: 71% da Geração Z afirma estar a constituir um fundo de emergência para se proteger em caso de perda de rendimento. No entanto, apenas 51% indicam ter capacidade para suportar uma despesa inesperada de 400 euros, evidenciando um desfasamento entre a intenção de poupança e a capacidade efetiva de absorver choques financeiros.

Outro fator que contribui para este cenário é o papel das redes sociais, cuja influência ultrapassa o plano comportamental e entra no domínio emocional e financeiro. 34% admitem ter feito compras por impulso após exposição à publicidade digital e, mais preocupante ainda, 19% dos jovens contraíram dívidas para manter padrões de consumo influenciados pelo que veem online.

Acresce ainda um problema estrutural: a falta de preparação formal para lidar com estas pressões. Menos de metade dos jovens (46%) afirma que os pais lhes deram uma boa educação financeira. Apenas 13% da Geração Z afirma ter aprendido a gerir dinheiro na escola e, embora 35% digam ter discutido temas financeiros em casa, este tipo de aprendizagem informal não parece ser suficiente para garantir a autonomia e a resiliência financeira dos jovens.

De acordo com Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum, “a Geração Z está a crescer num ambiente marcado por instabilidade, pressão social e ausência de ferramentas estruturadas para lidar com a sua realidade financeira. Neste Dia Internacional da Juventude, é fundamental reconhecer que o futuro destes jovens depende do apoio que recebem hoje. Só com literacia financeira, políticas direcionadas e apoio emocional será possível prepará-los para decisões conscientes e sustentáveis.”

O estudo ECPR 2025, da Intrum, que se baseia num inquérito externo realizado simultaneamente em 20 países europeus, incluindo Portugal, com um total de 20.000 consumidores participantes nesta edição, mostra que a juventude portuguesa vive num estado de alerta constante, adia decisões fundamentais e enfrenta dificuldades para construir uma base económica sólida.

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