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73% dos comerciantes mudaria de prestador de serviços de pagamento se garantisse maior apoio em compras com recurso a agentes de IA
Segundo um estudo da BCG, "a IA acrescenta um critério novo à escolha de adquirente".
27 Out 2026 - 07:13
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A Inteligência Artificial (IA) e a sua implementação no comércio digital, nomeadamente o uso de agentes de IA para levar a cabo transações em nome dos consumidores, está a transformar a forma como os comerciantes veem o setor dos pagamentos e o seu investimento no mesmo.
Neste sentido, um estudo da Boston Consulting Group (BCG) indica que 73% dos comerciantes admite mudar de prestador de serviços de pagamento caso esta mudança garantisse um maior apoio nestas compras com agentes de IA.
“A IA acrescenta um critério novo à escolha de adquirente”, sublinha a consultora. “Quando um agente de IA faz uma compra em nome de um consumidor, o comerciante precisa de saber se o agente é legítimo, se o consumidor autorizou a compra e quem responde se algo correr mal. O adquirente, que processa o pagamento, está bem posicionado para dar essas garantias”, acrescenta.
Olhando para a banca, “o efeito mais imediato da IA é automatizar o trabalho manual que resta”. A BCG recorda que “quase todos os pagamentos domésticos já são processados sem intervenção humana, mas no financiamento ao comércio internacional essa taxa fica entre 30% e 70%, porque os documentos ainda exigem análise caso a caso”. Dentro dos bancos que avançaram primeiro, destaca, a IA já analisa os documentos com mais de 85% de precisão.
O mesmo estudo realça que o impacto desta tecnologia não se fica pelos custos e vai até à relação com as empresas, que, tradicionalmente, “assentava no contacto direto com as equipas de tesouraria e nos portais dos bancos”.
Hoje em dia, aponta, há empresas fornecedoras de ‘software’ de tesouraria que integram a IA na previsão de liquidez e na gestão de risco nas empresas e também ‘fintechs’ que, indo mais longe, são acesso direto às contas aos agentes de IA para pagar a fornecedores e transferir dinheiro de forma autónoma. “Segundo o estudo, a relação com o cliente e o trabalho de maior valor tendem a ficar com quem controlar estas operações”, afirma a BCG.
A consultora aponta ainda que os bancos “partem bem colocados para disputar esse papel”, dado que a migração para a norma ISO 20022 – que criou um padrão de reporte para as instituições financeiras – lhes deu dados padronizados em cada transação e removeu o principal obstáculo à adoção da IA.
Os pagamentos e a soberania
A BCG reforça que, com a nova vaga de tarifas e sanções, “os governos passaram a tratar as infraestruturas de pagamento como uma questão de soberania, e o mapa dos pagamentos está a fragmentar-se”.
Neste sentido, relembra que o Parlamento Europeu aprovou, em julho, a abertura das negociações sobre o euro digital, “que o Banco Central Europeu apresenta como proteção face a redes de cartões não europeias e a ‘stablecoins’ indexadas ao dólar”.
Enquanto estes avanços significam mais redes nacionais para os comerciantes, o que pode levar a custos mais baixos, para os prestadores de serviços de pagamento significam “muitas ligações onde antes bastavam poucas, e o desafio de dar aos clientes alcance em todo o sistema sem lhes transferir essa complexidade”.
A BCG recorda que Portugal participa nesta mudança através das pontes europeias. Desde março de 2025, o MB Way está ligado ao espanhol Bizum e ao Bancomat, em Itália, para transferências imediatas entre os três. Já em fevereiro de 2026, estas entidades associaram-se à nórdica Vipps MobilePay e à EPI, que opera o Wero, através de um memorando tornar estes sistemas interoperáveis até 2027. “É uma das respostas europeias à questão da soberania, construída a partir de redes nacionais que já existem”, realça.
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