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Banco central sueco volta a colocar debate sobre moeda digital em cima da mesa
A Suécia colocou de lado o projeto da e-krona em 2023, mas o Riksbank vê nas 'stablecoins' uma razão para voltar ao debate.
23 Out 2026 - 14:24
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Foto Sveriges Riksbank
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Foto Sveriges Riksbank
O banco central da Suécia, o Riksbank, decidiu reacender o debate em torno da criação de uma versão digital da coroa sueca, a e-krona, que o país já tinha posto de lado em 2023. O supervisor nórdico foi dos primeiros bancos centrais a explorar esta opção, recorda a Reuters.
O abandono do projeto em 2023 teve origem numa iniciativa do governo que concluiu que não havia necessidade urgente desta tecnologia no país. Contudo, os avanços neste campo estão a criar receio junto do banco central, nomeadamente devido ao surgimento e ímpeto do mercado das ‘stablecoins’ e também ao desenvolvimento do euro digital.
O vice-governador do Riksbank, Per Jansson, sublinhou, em declarações à Reuters nesta quinta-feira, que a Suécia é uma sociedade onde há pouco uso de numerário, “e isso importa”. “Se o nosso dinheiro se tornar digital e a coroa sueca não estiver disponível em formato digital utilizável, então a coroa não vai conseguir competir com outros instrumentos de pagamento digitais mais convenientes que podem ser facilmente usados em várias geografias”, alerta.
O banco central endereçou uma carta este mês ao parlamento onde apontava precisamente o surgimento de ‘stablecoins’ como um possível risco para a competitividade internacional da coroa sueca.
Numa situação em que o uso da moeda sueca baixa, o banco central pode enfrentar dificuldades em manter a transmissão da política monetária e também na salvaguarda da estabilidade financeira.
O vice-governador relembrou que o Riksbank não adotou uma posição em relação à e-krona e que a decisão sobre o assunto dependia do parlamento. Jansson apontou, no entanto, que vai demorar, pelo menos, cinco anos a introduzir a legislação necessária e a tratar das restantes preparações.
Neste sentido, o vice-governador argumenta que “se a Suécia quer ter uma coroa digital e evitar ficar muito para trás, então é uma boa ideia começar este trabalho agora”.
Amanda Sundstrom, ‘senior macro strategist’ no SEB, realçou que a possibilidade de pagar em caso de um ataque ou de um apagão elétrico é “extremamente importante e uma das partes mais vulneráveis” da sociedade sueca. Um estudo do banco central demonstrou, no início do ano, que apenas 5% dos cidadãos suecos tinha usado numerário para compras recentemente.
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A incerteza geopolítica tem colocado os pagamentos e a soberania europeia no topo das prioridades políticas. O Banco Central Europeu revelou que cerca de dois terços dos pagamentos na Europa dependem de operadores não europeus, como é o caso da Visa e Mastercard. “Quando falamos de defesa, esta devia ser uma das coisas no topo da lista”, defende Sundstrom.
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