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Receitas do setor dos pagamentos devem abrandar nos próximos cinco anos

A receita total do setor dos pagamentos ficou perto de 1,79 biliões de euros em 2025 e espera-se que atinja 2,32 biliões em 2030.

26 Out 2026 - 15:06

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Foto Freepik

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O setor dos pagamentos a nível mundial vai assistir a um abrandamento das receitas ao longo dos próximos cinco anos, crescendo 5% ao ano, abaixo dos atuais 7%. De acordo com o estudo da Boston Consulting Group (BCG), as receitas devem passar de perto de 1,79 biliões de euros em 2025 para 2,32 biliões em 2030.

Na Europa, as receitas subiram 10% por ano entre 2019 e 2025, tendo atingido 281,4 mil milhões de euros. Para 2030, a expectativa é de que chegue a 364,5 mil milhões, o que corresponde a uma subida anual média de 5%.

Já a América do Norte registou um aumento médio de 8% por ano entre 2019 e 2025, ano em que totalizou receitas de 752,3 mil milhões. Espera-se que em 2030 atinja 956,8 mil milhões.

Por outro lado, a região APAC é a única que surge com expectativas de aumento de receita. Estas devem passar de um crescimento anual médio de 2% para 5%. O valor arrecadado em 2019 era de 396,7 mil milhões, tendo passado a 460,1 mil milhões no ano passado. O montante previsto para 2030 é de 586,1 mil milhões.

“Nos mercados mais maduros, a passagem do numerário para os pagamentos digitais tem cada vez menos margem para avançar, e a concorrência e a regulação pressionam as margens”, justifica o estudo. Ao mesmo tempo, “as receitas de juros e de comissões de contas e cartões, ainda a maior fatia do setor, perdem o impulso das taxas de juro elevadas”.

A crescer acima dos mercados mais maduros estão o Médio Oriente e África, na ordem dos 8%, e a América Latina, com 7%. O primeiro, estima-se, vai atingir receitas de 129,5 mil milhões e o segundo 256,4 mil milhões.

A consultora explica ainda que “o abrandamento coincide com uma mudança sem precedentes na forma como os investidores avaliam o setor”. O estudo aponta que uma empresa de pagamentos pode ter um crescimento anual de 20% e margens EBITDA de 50% e ser avaliada em “apenas” 12 vezes o EBITDA esperado. “Muitas estão cotadas quase 50% abaixo do seu máximo anterior”, destaca.

O estudo acrescenta ainda que esta pressão surge quando “a pressão aperta dos dois lados”. Isto é, “dentro das empresas de pagamentos, os salários, os gastos com ‘cloud’ e a fragmentação dos sistemas tecnológicos estão a encarecer a operação” e, ao mesmo tempo, “os grandes comerciantes estão a profissionalizar a gestão dos pagamentos”.

O inquérito da BCG a 500 grandes comerciantes de sete países concluiu que 89% tem equipas dedicadas a esta área e cerca de metade avalia todos os anos o desempenho da sua entidade prestadora de serviços de pagamento. Segundo a consultora, o preço é o principal motivo para pensarem em mudar.

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