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A “dupla incerteza” de Lagarde face à política monetária
Presidente do BCE diz que o “tempo” que durar o conflito no Médio Oriente será fundamental para a decisão a tomar no final de abril
20 Abr 2026 - 18:42
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Christine Lagarde, presidente do BCE/Foto: BCE
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Christine Lagarde, presidente do BCE/Foto: BCE
A presidente do Banco Central Europeu (BCE) esteve presente na cerimónia de comemoração do 75.º aniversário da Associação de Bancos Alemães que se realizou nesta segunda-feira em Berlim e não podia deixar de falar do atual momento geopolítico e das suas consequências na definição da política monetária, nomeadamente da questão energética.
“A interrupção no fornecimento é enorme. Mesmo considerando o redirecionamento de oleodutos e a libertação de reservas estratégicas, a perda líquida de petróleo é estimada em cerca de 13 milhões de barris por dia – aproximadamente 13% do consumo global. E isso antes do bloqueio dos EUA”, afirmou Lagarde, acrescentando: “mas, até agora, não vimos os preços da energia subirem o suficiente para nos levar diretamente ao nosso cenário adverso”.
Para a responsável, “se o conflito for resolvido rapidamente, o choque direto no preço da energia poderá ficar abaixo das expectativas – e o impacto económico será contido. As perspetivas, no entanto, permanecem frágeis – e cenários piores ainda são possíveis”.
A líder do BCE falou numa “dupla incerteza”.
A primeira é “a duração da interrupção. Como o panorama económico que acabei de descrever deixa claro, quanto mais tempo o conflito durar, pior será a perspetiva – e não de forma linear. A duração é, portanto, fundamental para avaliar qual o cenário que estamos a enfrentar”.
A segunda é “a transmissão dos preços da energia para a inflação em geral”.
“Por um lado, famílias e empresas acabaram de passar por um grande choque inflacionista e podem estar mais sensíveis ao aumento dos custos. A memória ainda está fresca. Inquéritos recentes sugerem que as expectativas de preços de venda das empresas aumentaram e que as famílias já estão a prestar mais atenção à inflação”, refere Lagarde.
“Por outro lado, preços de energia mais altos e uma confiança do consumidor mais fraca vão afetar a procura, especialmente considerando que o crescimento, embora em recuperação, era moderado antes do início do conflito. Isso pode limitar a dimensão dos aumentos de preços e salários”, acrescenta.
A presidente do BCE referiu que “nos dois episódios comparáveis mais recentes – a Guerra do Golfo de 1990-91 e a invasão da Ucrânia pela Rússia – os choques na oferta de petróleo reduziram o PIB da zona euro em cerca de 0,4% em média no primeiro ano”.
“A importância relativa destas forças só ficará clara quando tivermos acesso a dados concretos sobre o comportamento dos preços das empresas e as negociações salariais”, acrescentou, salientando que “esta dupla incerteza quanto à duração do choque e à extensão da transmissão justifica a recolha de mais informações antes de tirarmos conclusões definitivas para a nossa política monetária”.
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