Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

5 min leitura

UniCredit quer Commerzbank a investir nos mercados doméstico e polaco e atingir lucro conjunto de 21 mil milhões em 2030

O UniCredit deixou fortes críticas à estratégia apresentada recentemente pelo Commerzbank, considerando que não resolve problemas nem promove transformação.

20 Abr 2026 - 17:38

5 min leitura

Bettina Orlopp, CEO do Commerzbank, e Andrea Orcel, CEO do UniCredit | Foto: Commerzbank e UniCredit, editada por Rigby Ciprião, Jornal PT50

Bettina Orlopp, CEO do Commerzbank, e Andrea Orcel, CEO do UniCredit | Foto: Commerzbank e UniCredit, editada por Rigby Ciprião, Jornal PT50

O UniCredit lançou nesta segunda-feira a sua visão estratégica para o Commerzbank e quais os benefícios de uma integração dos dois bancos. A instituição italiana adotou uma postura altamente crítica da atual gestão do banco alemão e delineou um trajeto que pretende atingir um lucro conjunto de 21 mil milhões de euros em 2030.

Numa apresentação feita nesta manhã, o CEO do UniCredit, Andrea Orcel, apontou os pontos fracos da estratégia individual do Commerzbank e onde este falhado para atingir o seu potencial. O segundo maior banco de Itália – que lançou no mês passado uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de 35 mil milhões sobre o rival alemão – considera que o seu homólogo germânico tem uma dependência exagerada no mercado internacional, que aumenta o seu risco.

O UniCredit vai mais longe e acusa o Commerzbank de adotar uma estratégia que “não toma as decisões difíceis necessárias para resolver as deficiências e promover a transformação”. Estes problemas, supõe o proponente da OPA, podem levar a mais custos futuros e a um novo plano de reestruturação, que “vai pesar nos acionistas, trabalhadores e clientes”.

Para o banco italiano, o rival deve concentrar o seu negócio nos mercados alemão e polaco. Recorde-se que o Commerzbank detém a maioria do capital do banco polaco mBank, que o UniCredit destaca como uma boa oportunidade por estar presente numa das economias que mais rapidamente cresce na União Europeia.

Sobre a falta de transformação referida, a instituição liderada por Orcel acredita que o banco alemão não está preparado para competir com empresas americanas ou ‘fintechs’ que entrem no mercado, “dada a falta de investimento na proposta ao cliente e a ineficiência”.

Orcel garante que o objetivo do UniCredit se mantém. A empresa não quer ter controlo do Commerzbank e estima que, após a OPA, alcance uma posição apenas ligeiramente acima dos 30%. O CEO revelou ainda que, atualmente, com uma posição de perto de 30%, os acionistas do UniCredit estão a ter um retorno sobre o investimento de 20%, algo que iria baixar bastante caso o banco atinja um capital de 50% mais uma ação.

UniCredit responde à resposta do Commerzbank

Há duas semanas, o Commerzbank lançou um comunicado em que criticou a parca comunicação do UniCredit e reiterou que a sua proposta não apresentava uma mais-valia para o banco nem iria trazer melhores resultados face ao desempenho individual da instituição. Na mesma altura, o banco alemão apontou ainda que a fusão podia trazer outros riscos como a perda de clientes ou colaboradores importantes.

Neste sentido, a entidade liderada por Orcel optou por esclarecer algumas críticas do rival, que caracteriza como sendo “mitos”. Em relação à ideia de que a proposta do UniCredit não acrescenta valor, o banco reforça a falta de disponibilidade do Commerzbank em encetar conversações e negociações – uma das principais razões apontadas para ter lançado a OPA – o que impede uma maior noção sobre os possíveis benefícios.

Paralelamente, o UniCredit realça que, desde que começou a investir e comprar ações no Commerzbank, o valor das mesmas cresceu de forma considerável. Por fim, argumenta que o plano delineado e apresentado nesta segunda-feira – quando comparado com a estratégia apresentada pelo próprio Commerzbank – equivale a um acréscimo de lucro superior a 1,2 mil milhões ou um aumento de mais de 25% do mesmo, associado a um RoTE com mais 10 pontos percentuais.

Em relação às preocupações com os riscos e custos de integração, o banco italiano desvaloriza e realça o seu passado neste campo para se defender. “O UniCredit já integrou com sucesso mais de 100 bancos: mais recentemente na Roménia (menos de nove meses, aumentando os clientes ativos)”, acrescenta. Mais ainda, esclarece que o Commerzbank continuaria como uma entidade independente até 2028, “dando a margem temporal e de trabalho necessárias para que se alinhe, industrial e culturalmente, com o Grupo UniCredit”.

Sobre o receio de perda de clientes, a empresa de Itália reitera que as duas instituições são “altamente complementares”, tanto em termos geográficos como em relação aos clientes que servem. No que diz respeito ao corte de 15 mil empregos alemães adivinhado por um membro do Conselho de Supervisão do Commerzbank, o UniCredit esclarece que 60% da poupança de custos diz respeito a questões não relacionadas com recursos humanos e atividades internacionais não ‘core’. No total, o banco admite um corte em número de colaboradores inferior a metade do valor apontado, distribuído por um período de cinco anos.

Por fim, o UniCredit desvaloriza ainda as preocupações sobre a independência alemã. “A Alemanha iria tornar-se o país n.º1 no grupo, com cerca de 95% das decisões a serem tomadas de forma local e com influência sobre a direção geral do grupo”, indica.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade