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Alejandra Kindelán afasta euro digital como primeira opção de pagamento

Presidente da Associação Espanhola de Bancos alerta para o risco de fuga de depósitos bancários

19 Mai 2026 - 14:31

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Alejandra Kindelán, presidente da Associação da Banca Espanhola

Alejandra Kindelán, presidente da Associação da Banca Espanhola

A presidente da Associação Espanhola de Bancos (AEB), Alejandra Kindelán, considera o euro digital uma solução “complementar” a meios de pagamento digitais privados, como o Bizum, afastando-o como primeira opção devido ao possível impacto nos depósitos bancários e ao elevado custo da sua implementação.

Nesse sentido, Kindelán, que discursava nesta terça-feira durante um evento organizado pelo Real Instituto Elcano, defendeu que o projeto do euro digital promovido pelo Banco Central Europeu (BCE) teria de “ir além das capacidades do Bizum” — um sistema de pagamentos espanhol semelhante ao MB Way, da SIBS portuguesa — embora tenha reconhecido como vantagem a possibilidade de realizar pagamentos offline.

A responsável pela Associação Espanhola de Bancos salientou que um dos principais inconvenientes do euro digital é o impacto que poderá ter nos depósitos bancários, caso seja encarado como um instrumento de pagamento seguro e sem limites de montante. Nesse cenário, as instituições financeiras poderiam sofrer uma diminuição substancial dos depósitos, o que, por sua vez, dificultaria a concessão de crédito.

Outro inconveniente apontado por Kindelán relativamente à versão digital do euro é o elevado custo de implementação, citando um estudo recente da PwC que estima a despesa total do euro digital em 18 mil milhões de euros.

Por seu lado, o BCE estima que o custo total possa situar-se entre os quatro e os seis mil milhões de euros.

A presidente da AEB defendeu ainda o pagamento de uma compensação financeira aos bancos para cobrir os custos associados ao serviço que o setor privado terá com a “abertura de contas em euros digitais e a prestação de todo o serviço aos clientes”.

Apesar das reservas apontadas, Kindelán referiu que a AEB concorda com a implementação do euro digital, nomeadamente como forma de reforçar a autonomia estratégica da Europa face a outros meios de pagamento, como a Visa e a Mastercard. Acrescentou ainda que o setor bancário espanhol tem vindo a trabalhar em conjunto “para oferecer alternativas privadas no sistema de pagamentos digitais do Velho Continente”.

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