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Banca elege escala, talento e inovação como os maiores desafios das empresas portuguesas
Encontro Nacional da Associação Portuguesa das Empresas de Leasing, Factoring e Renting reflete sobre como será “Investir no Futuro”.
20 Mai 2026 - 12:51
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Representantes da Banca discutem competitividade/Foto: ALF
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Representantes da Banca discutem competitividade/Foto: ALF
A necessidade de ganhar escala, reter talento e investir em inovação foram os principais desafios que a banca identificou como essenciais para aumentar a competitividade do tecido empresarial nacional, constituído maioritariamente por Pequenas e Médias Empresas (PME). Este foi um dos pontos em destaque no Encontro Nacional da Associação Portuguesa das Empresas de Leasing, Factoring e Renting, que decorreu nesta quarta-feira, em Lisboa.
Subordinado ao tema “Investir no Futuro”, o encontro abriu com uma intervenção de Paulo Portas sobre o conflito no Médio Oriente e os desafios futuros para a Europa. O ex-vice-primeiro-ministro do Governo de Passos Coelho destacou o desafio demográfico que Portugal e a Europa enfrentam e salientou os efeitos do choque energético, defendendo a solução nuclear, em particular os SMR – Small Modular Reactors –, microreatores nucleares. “Por causa do conflito no Médio Oriente, estão a faltar 13 milhões de barris de petróleo por dia”, afirmou.
No painel que reuniu os principais bancos para debater a competitividade das empresas, a questão da escala foi transversal a todas as intervenções.
Para Ana Rosas de Oliveira, administradora do BPI, “temos um tecido empresarial de PME que limita muito o acesso aos mercados. É um problema de escala”, referiu, acrescentando que as gerações mais jovens que vão sucedendo na gestão “estão a promover importantes modernizações nas PME”.
Para a responsável do BPI, a competitividade das empresas passa por “uma proposta de valor clara, de modo a identificar onde se querem posicionar em termos de produtos e mercados, com um plano estratégico bem elaborado”.
“É preciso ter uma estratégia de internacionalização que permita à empresa ir mais longe na cadeia de valor”, defendeu, salientando que “é essencial que uma empresa não fique para trás no caminho da digitalização”.
Neste contexto de incerteza global, a administradora do BPI considera que “Portugal pode ter muitas oportunidades” e lançou o desafio: “é preciso mais ambição em termos empresariais, sustentada em produtos financeiros diferenciados, como é o caso dos seguros de crédito”, afirmou Ana Rosas de Oliveira.
Para a administradora da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Ana Carvalho, “as empresas e os empresários portugueses têm conseguido feitos extraordinários”, acrescentando que as empresas nacionais já conseguiram antecipar muitos riscos políticos, dando como exemplo a guerra na Ucrânia, iniciada em 22 de fevereiro de 2022, quando muitas empresas portuguesas já se encontravam em processos de transição ecológica, nomeadamente ao nível energético.
Em relação à escala, a administradora da CGD afirmou que Portugal não é muito diferente dos outros países. “Temos 29,9% de PME. O que há de diferente é que o nosso país tem muito mais microempresas em termos percentuais, tendo também uma percentagem muito maior de grandes empresas em comparação com outros Estados.”
A questão da captação de talento também foi abordada por Ana Carvalho, que salientou a dificuldade de uma PME com uma faturação de 10 milhões de euros conseguir contratar um gestor de topo. “A escala é, de facto, um tema para a atração de talento e para a sofisticação da gestão de topo”, acrescentou.
Ainda no domínio da governance, a administradora da CGD defendeu que “a gestão deve ser desafiada face ao status quo”, considerando que uma ajuda preciosa seria “um guia de governance para apoiar as empresas”.
Já João Nuno Palma, administrador do Millennium bcp, considerou que, “se tivéssemos de desenhar uma equação da economia portuguesa e da sua recuperação, um dos elementos fundamentais dessa equação seriam os empresários portugueses”.
“O fator que menos impacta a competitividade é o financiamento. Temos um sistema financeiro resiliente”, acrescentou, salientando que o “crédito especializado é absolutamente estratégico nos dias de hoje”.
Para o responsável do Millennium bcp, “a competitividade está ligada à inovação. Temos de crescer em escala para sustentar o investimento em inovação”, referindo ainda que “o financiamento especializado concentra o capital naquilo que é essencial. O capital tem de estar focado em tudo o que é imaterial e fundamental para a competitividade e inovação das empresas. O que diferencia o modelo de negócio é o investimento em bens intangíveis”.
Para João Nuno Palma, vamos “entrar numa economia de colaboração. Temos de ter um financiamento colaborativo das cadeias de valor e, aqui, o crédito especializado assume uma importância fundamental na construção dessa economia colaborativa e dos novos ecossistemas empresariais”.
Por seu turno, Isabel Silva, administradora do Banco Montepio, referiu que, num mundo em mudança, “os temas da escala, do capital e do talento influenciam a competitividade das empresas”.
“As soluções de crédito especializado podem contribuir decisivamente para a competitividade das empresas. No chamado ‘crédito normal’, somos mais exigentes em termos de estrutura empresarial e, muitas vezes, a classificação de risco fica agravada”, afirmou a responsável, acrescentando que “a gestão da liquidez pode ser diferenciadora e o crédito especializado pode ser determinante”.
Quanto à questão do talento, Isabel Silva concordou que “a retenção de talento é uma dificuldade”, mas salientou que é preciso “transformar esse talento em produtividade”.
O administrador do Santander, Amílcar Lourenço, confirmou que “a economia portuguesa é hoje muito mais competitiva do que há 20 anos”. “Temos empresas que conseguem chegar a muito mais mercados e inovar muito mais”, acrescentou.
O responsável do Santander considera que temos de encarar alguns desafios estruturais, nomeadamente a escala e a competitividade. “Temos de analisar como é que as nossas empresas encaram os mercados externos. Ninguém vai para um mercado externo sem levar algo de novo”, referiu.
“Escala, produtividade, tecnologia e inovação têm de ser revistas em termos estruturais”, defendeu Amílcar Lourenço, para quem “Portugal não é um país com muito capital e continuamos a perder empresas para grupos estrangeiros”.
Também o responsável do Santander considera que não existe falta de financiamento para as empresas. “Qualquer empresa que vá ao mercado consegue cinco ou seis fontes de financiamento diferentes”, concluiu.
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