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Bancos ingleses estudam alternativas à Visa e à Mastercard
Responsáveis das instituições financeiras querem criar uma nova empresa de pagamentos para reduzir a dependência das multinacionais norte-americanas.
17 Fev 2026 - 11:00
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Tal como acontece na União Europeia (UE), os presidentes executivos dos maiores bancos ingleses pretendem construir uma infraestrutura de pagamentos independente das redes norte-americanas Visa e Mastercard. Segundo o jornal The Guardian, está agendada para a próxima quinta-feira uma reunião, presidida pelo CEO do Barclays no Reino Unido, com um grupo de investidores da City, com o objetivo de avaliar os custos da nova infraestrutura de pagamentos.
A iniciativa, financiada pela City, mas com apoio do Governo, está em discussão há anos. No entanto, as recentes ameaças de Trump contra aliados da NATO, nomeadamente no que diz respeito à Gronelândia, intensificaram as preocupações de que uma dependência excessiva de empresas norte-americanas possa colocar em risco os pagamentos no Reino Unido.
As mesmas preocupações têm levado os responsáveis europeus a acelerar a entrada em vigor do euro digital, prevista para 2029.
Cerca de 95% das transações com cartão no Reino Unido são realizadas através de sistemas de pagamento pertencentes à Mastercard e à Visa, de acordo com um relatório de 2025 do Regulador de Sistemas de Pagamento do Reino Unido.
“Se a Mastercard e a Visa fossem desligadas, voltaríamos à década de 50, antes de os cartões dominarem a economia britânica, ficando as empresas totalmente dependentes de numerário”, afirmou ao The Guardian um executivo familiarizado com o projeto. “É claro que precisamos de um sistema de pagamentos soberano.”
Os planos do projeto não excluem a Visa e a Mastercard, que terão representantes na reunião, mas qualquer nova empresa será dominada por um vasto conjunto de bancos e empresas de pagamentos britânicas ou sediadas em Inglaterra, incluindo o Santander UK, o NatWest, a Nationwide, o Lloyds Banking Group, a Link (organização responsável pela rede de caixas automáticas) e a Coventry Building Society.
Joe Garner, ex-CEO da Nationwide, que atuou como consultor do Governo na definição da visão nacional de pagamentos da Chanceler do Tesouro, Rachel Reeves, e liderou uma revisão independente sobre pagamentos em 2023, afirmou ao The Guardian: “Independentemente de quaisquer desenvolvimentos políticos, o Reino Unido precisa de uma estrutura soberana de pagamentos. Precisávamos antes e precisamos agora… Não creio que isso tenha mudado com os acontecimentos recentes.”
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