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BCE aposta em “inspeções relâmpago” aos bancos

Em 2025, foram realizadas 240 ações de supervisão presencial. Em 2026, as investigações no local estão a ser concluídas cerca de 10% mais rapidamente do que no ano passado

12 Ago 2026 - 11:09

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Reunião do Conselho de Governadores do BCE/Foto: BCE

Reunião do Conselho de Governadores do BCE/Foto: BCE

O Banco Central Europeu (BCE) vai alterar as inspeções presenciais que realiza aos bancos europeus, em colaboração com os supervisores nacionais. O objetivo é simplificar as interações com as instituições supervisionadas, através da “simplificação dos processos internos e do aproveitamento de novas tecnologias”. A alocação de recursos e esforços será ainda mais otimizada, de forma a centrar-se efetivamente nos riscos e nas fragilidades materiais. “Isso permite a identificação e resolução mais rápidas de áreas críticas de risco e reduz os prazos dos processos”, refere o supervisor no Boletim Informativo de Supervisão divulgado nesta quarta-feira.

Para 2027, a aposta será em “inspeções relâmpago”, com “investigações mais curtas e direcionadas, que permitem apresentar os resultados mais rapidamente”, refere o BCE, que pretende realizar “investigações intensas”, atualmente limitadas “a casos envolvendo riscos mais materiais e complexos”.

Para tal, o organismo liderado por Christine Lagarde vai fornecer “orientações às equipas de investigação sobre os tamanhos das amostras para investigações de risco de crédito que incluam uma revisão dos ficheiros de crédito”. Estas orientações terão em conta o objetivo da investigação e a complexidade das carteiras em análise, permitindo que os inspetores adaptem o tamanho da amostra ao risco subjacente. O BCE salienta que “esta abordagem mais baseada no risco pode, em vários casos, reduzir o número de pedidos de dados dirigidos aos bancos”.

Segundo o relatório do BCE, em 2025 foram lançadas 163 inspeções no local às instituições significativas sob supervisão direta, complementadas por 77 verificações de modelos internos, num total de 240 ações de supervisão presencial.

O risco de crédito continua a ser, de longe, o domínio mais inspecionado, embora tenha registado uma ligeira redução face a 2024, passando de 44 para 40 casos.

A governação foi a categoria com maior crescimento, passando de 24 para 31 inspeções, refletindo as prioridades prudenciais do BCE relacionadas com deficiências na agregação e no reporte de dados sobre o risco.

Com estas alterações nos processos de inspeção presencial, “o BCE visa limitar a complexidade desnecessária e garantir avaliações no local oportunas, focadas e eficazes”, refere o supervisor, que apela aos bancos para que forneçam as informações solicitadas “em tempo útil” e centrem as suas respostas nos “aspetos mais relevantes dos relatórios de supervisão”.

O supervisor europeu faz ainda outro reparo: “o BCE respeita plenamente o direito dos bancos de se comunicarem na sua língua local. No entanto, o uso do inglês como língua de trabalho é incentivado durante as investigações presenciais, especialmente para bancos com atividade internacional, pois pode aumentar significativamente a eficiência”.

Segundo o relatório, “já em 2026, as investigações no local estão a ser concluídas cerca de 10% mais rapidamente do que em 2025”, reduzindo a duração média desde o início da investigação até à emissão do relatório final de 33 para 29 semanas. A fase de investigação no local dura normalmente entre quatro e 16 semanas.

A Supervisão Bancária do BCE vai acelerar ainda mais o processo de acompanhamento da supervisão, tendo como principal critério o risco. “À medida que as iniciativas em curso forem implementadas e totalmente incorporadas no ciclo de investigação até ao final de 2026 e ao longo de 2027, espera-se que a duração média do processo seja ainda mais reduzida. A duração de investigações individuais depende do seu âmbito e complexidade, da gravidade das questões identificadas e do nível de cooperação dos bancos envolvidos”, conclui o supervisor europeu.

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