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Bundesbank apoia criação do euro digital
Burkhard Balz, membro do Conselho Executivo do banco central alemão, fala de “um meio de pagamento digital público para os cidadãos, disponível em toda a zona euro com base na infraestrutura e nas regras europeias”
08 Jun 2026 - 17:50
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Burkhard Balz, membro do Conselho Executivo do banco central alemão/Foto: Bundesbank/Tim Wegner
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Burkhard Balz, membro do Conselho Executivo do banco central alemão/Foto: Bundesbank/Tim Wegner
É mais um banco central da zona euro a manifestar apoio à criação da moeda digital europeia. Burkhard Balz, membro do Conselho Executivo do Bundesbank e responsável pelas áreas do numerário, sistemas de pagamento e liquidação, afirmou esta segunda-feira, numa conferência realizada em Berlim, que a criação do euro digital é essencial por três razões estratégicas: eficiência, resiliência e autonomia.
Para o responsável, é evidente que os hábitos de pagamento estão a mudar. “Na Alemanha, a proporção das transacções pagas em numerário caiu de 74% em 2017 para 51% em 2023. Em vários outros países da zona euro, essa proporção é significativamente mais baixa. Cada vez mais, os cidadãos pagam por via digital — nos pontos de venda, online e entre particulares”, referiu o responsável do Bundesbank.
Em termos de eficiência, o euro digital é considerado absolutamente necessário, uma vez que a Europa “ainda não dispõe de um instrumento de pagamento digital comum que funcione da mesma forma em toda a zona euro. Existem soluções nacionais bem-sucedidas — como o Girocard, na Alemanha, ou o Bizum, em Espanha — mas estas limitam-se, geralmente, aos mercados nacionais ou a canais específicos”, afirmou Burkhard Balz.
A resiliência justifica-se através da funcionalidade offline, “concebida para permitir pagamentos digitais mesmo quando a conectividade de rede não está disponível”. O responsável recordou que “o apagão em larga escala que afectou Espanha e Portugal em Abril de 2025 ilustrou bem este ponto: o dinheiro físico continuou a funcionar, enquanto os terminais de pagamento deixaram de operar. O euro digital foi concebido para que uma alternativa digital também permaneça utilizável nestas situações”.
Por fim, Balz destacou a importância da autonomia estratégica. “Cerca de dois terços dos pagamentos com cartão na zona euro são processados através de redes internacionais de cartões sediadas fora da Europa. Treze dos 21 Estados-membros da zona euro não possuem uma rede nacional de cartões própria. Numa infraestrutura crítica como a dos pagamentos, este grau de dependência externa constitui, por si só, um problema estrutural”, afirmou.
Segundo Burkhard Balz, a estrutura de dois níveis do euro digital — com o Eurosistema no papel de emissor e fornecedor da infraestrutura principal, e os bancos e outros prestadores de serviços de pagamento como distribuidores — será complementada por três características fundamentais.
Em primeiro lugar, “o euro digital destina-se a ser um meio de pagamento, e não uma reserva de valor. Não remunerará juros e estará sujeito a limites de detenção, sobretudo para proteger a estabilidade financeira e evitar transferências disruptivas de depósitos bancários”.
Em segundo lugar, funcionará tanto online como offline. “Os pagamentos online serão processados através da infraestrutura do Eurosistema e de intermediários supervisionados. Os pagamentos offline serão liquidados directamente entre os dispositivos do pagador e do beneficiário, sem necessidade de uma ligação contínua à Internet”, explicou.
Por último, destacou a questão da privacidade, integrada desde o início do projecto. “O Eurosistema não será capaz de identificar os utilizadores individuais nem de saber o que compram. Nos pagamentos online, os prestadores de serviços de pagamento realizarão as mesmas verificações que já efectuam actualmente. Nos pagamentos offline, o nível de privacidade será próximo do proporcionado pelo dinheiro físico.”
Burkhard Balz recordou ainda uma declaração de Wim Duisenberg, primeiro presidente do Banco Central Europeu, quando recebeu o Prémio Carlos Magno, em 2002, pouco depois da introdução das notas e moedas de euro. Nessa ocasião, Duisenberg afirmou que “as notas, à sua maneira, são uma manifestação física do contrato social que é o dinheiro”. Mais de duas décadas depois, concluiu Balz, “essa descrição continua plenamente válida”.
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