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Carta de Andrew Bailey aos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 alerta para a materialização de um “triplo choque”

Pela segunda vez em menos de uma semana, o presidente do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) alerta para os efeitos que o conflito no Médio Oriente pode ter na formação de uma “tempestade financeira perfeita”.

15 Abr 2026 - 11:15

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O presidente do Conselho de Estabilidade Financeira, Andrew Bailey/Foto: Parlamento Europeu

O presidente do Conselho de Estabilidade Financeira, Andrew Bailey/Foto: Parlamento Europeu

O presidente do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) escreveu esta semana aos ministros das Finanças e aos governadores dos bancos centrais do G20 antes da reunião marcada para o próximo dia 16, no âmbito dos encontros da primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.

Na sua carta, Andrew Bailey, que é também governador do Banco de Inglaterra, reiterou os avisos que fez na semana passada perante o Parlamento Europeu: “existe uma maior probabilidade de múltiplas vulnerabilidades se materializarem simultaneamente, amplificando a ameaça à estabilidade financeira e à prestação de serviços financeiros essenciais. Designo este risco como um ‘duplo’ ou ‘triplo’ choque (whammy)”.

Segundo o responsável, “o conflito no Médio Oriente provocou um choque significativo na economia global”, acrescentando que “as condições financeiras se tornaram mais restritivas. Devemos estar particularmente atentos à interação entre esta volatilidade nos mercados financeiros e o aperto das condições financeiras com outras vulnerabilidades, incluindo: valorizações de ativos elevadas; níveis de alavancagem elevados e cada vez mais concentrados no setor não bancário; e desfasamentos de liquidez, opacidade e crescente complexidade em determinados mercados, nomeadamente no crédito privado”.

“No que respeita a potenciais desencadeadores, importa destacar a possibilidade de os mercados financeiros passarem a refletir um impacto muito mais significativo no crescimento económico global. Até agora, o impacto tem sido mais visível nos mercados de taxas de juro, em linha com uma maior ênfase nas consequências inflacionistas. Caso os mercados passem a centrar-se mais nos ativos de risco — refletindo maior preocupação com o crescimento —, uma reavaliação abrupta dos preços das ações poderá coincidir com a já crescente atenção às valorizações dos ativos privados”, refere Bailey.

Relativamente aos mercados de dívida soberana, o presidente do FSB sublinha que estes “continuam a registar níveis historicamente elevados de emissão”, apresentando atualmente “uma elevada utilização de alavancagem por um número limitado de fundos que seguem estratégias semelhantes em várias jurisdições”.

“Consequentemente, existe um risco acrescido de uma redução desordenada de posições, que poderá gerar falta de liquidez nos mercados principais e efeitos de contágio transfronteiriços. Até agora, a maior volatilidade e os volumes de negociação muito elevados têm sido absorvidos pelos mercados, mas esta situação exige vigilância constante”, acrescenta.

Apesar do conflito, “os prémios de risco nos mercados globais de ações e dívida mantêm-se comprimidos em termos históricos. Isto tem limitado os efeitos negativos do conflito, mas subsiste o risco de um ajustamento acentuado caso as condições económicas se deteriorem”, afirma Bailey.

“Importa ainda considerar que alguns setores apresentavam valorizações particularmente elevadas antes do início do conflito. Em certos casos — como nos setores relacionados com a inteligência artificial —, o modelo de negócio implica investimentos muito significativos, associados a um elevado grau de incerteza quanto aos retornos futuros. O conflito poderá agravar as vulnerabilidades inerentes a esta situação”, acrescenta o governador do Banco de Inglaterra.

Bailey recorda que “o sentimento dos investidores em alguns segmentos de crédito de maior risco, nomeadamente no crédito privado, já se encontrava deteriorado antes do início do conflito”, e que “o aumento das preocupações quanto à qualidade dos ativos, valorizações e liquidez levou a um maior volume de pedidos de resgate em alguns fundos e, em certos casos, à aplicação de limites estruturais a esses resgates. Acresce um nível elevado de opacidade na estrutura deste setor”.

Para o responsável, “este aspeto é particularmente relevante, uma vez que as consequências económicas do conflito poderão aumentar a pressão sobre o serviço da dívida dos mutuários mais alavancados e deteriorar a qualidade dos ativos, intensificando a pressão sobre os fundos de crédito privado. Existe um risco acrescido de que a opacidade destes mercados possa desencadear uma perda de confiança mais generalizada, mesmo quando os problemas sejam específicos de determinados mutuários”.

O próximo relatório do FSB sobre crédito privado analisará vulnerabilidades em três áreas: as interligações entre os bancos e o crédito privado, a qualidade creditícia dos mutuários e as dificuldades na avaliação destes ativos.

“Continuaremos a monitorizar de perto estes desenvolvimentos e a aprofundar a análise nos próximos meses”, concluiu Andrew Bailey.

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