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Casas portuguesas estão a “encolher”

Banco de Portugal diz que estamos a passar dos T3 para os T0 e T2, em consequência da diminuição do número de elementos dos agregados familiares

14 Ago 2026 - 16:15

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Foto: Unsplash/Jakub Zerdzicki

Foto: Unsplash/Jakub Zerdzicki

A dimensão das casas está a diminuir no nosso país. De acordo com uma análise do Banco de Portugal, publicada nesta sexta-feira na sua rubrica “Economia numa imagem”, as habitações com três quartos (T3) mantiveram-se como a tipologia dominante, representando cerca de metade dos fogos concluídos no período entre 2011 e 2024, embora com uma redução gradual do seu peso.

Mais recentemente, os estúdios (T0) e as habitações com até dois quartos (T2) ganharam expressão, sobretudo em Lisboa, no Porto e em alguns municípios do Algarve e do Baixo Alentejo.

Para a entidade liderada por Álvaro Santos Pereira, “verificou-se uma diminuição do número médio de quartos na maioria dos municípios entre 2011–2013 e 2022–2024, em linha com o aumento de agregados unipessoais, a maior mobilidade e a crescente procura de arrendamento urbano. A redução foi expressiva em municípios dos Açores, do interior do continente, mas também em Lisboa e, principalmente, no Porto”.

No Boletim Económico de junho, o supervisor detalha este tema no artigo “Habitação em Portugal: determinantes da oferta e dinâmica de preços e rendas”. Nessa publicação, os especialistas do Banco de Portugal referem, a propósito da adaptação da dimensão das casas ao número de elementos do agregado familiar, que “subsiste alguma desadequação entre a dimensão das habitações e a dos agregados familiares. Em 2021, 18,8% dos alojamentos com quatro ou mais divisões eram ocupados por um único residente (24% em Lisboa), o que sugere limitações na mobilidade habitacional, que podem decorrer de fatores como a localização, a antiguidade do edificado, a relação dos proprietários com a sua habitação e o enquadramento fiscal associado à transação e à detenção de imóveis residenciais”.

Aquele trabalho revela também que “a estrutura do parque habitacional revela uma dualidade territorial. Nos centros urbanos e no Algarve predominam edifícios de média altura com tipologias mais pequenas (T0–T2), associadas à elevada densidade, aos custos do solo e à procura de jovens, estudantes e agregados unipessoais, sendo também influenciada pela dinâmica turística. Em contraste, nas zonas rurais e em grande parte do interior prevalecem moradias unifamiliares de maior dimensão (T3 ou T4)”.

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