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60% das empresas estão dispostas a contratar serviços de stablecoins junto de entidades não bancárias
Relatório Mundial de Pagamentos 2027 da Capgemini mostra que, nos últimos três anos, apenas 32% dos clientes empresariais afirmam estar satisfeitos com o seu principal parceiro bancário
28 Set 2026 - 18:35
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Ativos digitais e moeda tradicionalFoto Freepick
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Ativos digitais e moeda tradicionalFoto Freepick
“A indústria global de pagamentos continua a capitalizar uma década de forte dinâmica de digitalização, à medida que os pagamentos se tornam cada vez mais integrados nos ecossistemas comerciais”, refere o Relatório Mundial de Pagamentos 2027 da consultora Capgemini.
Aquele documento refere que, “embora 60% dos bancos tenham dado prioridade à inovação nos pagamentos entre empresas (B2B) nos últimos três anos, apenas 32% dos clientes empresariais afirmam estar satisfeitos com o seu principal parceiro bancário”.
Quase 60% dos clientes empresariais estão dispostos a contratar serviços relacionados com stablecoins junto de entidades não bancárias caso os seus parceiros bancários não disponibilizem novas funcionalidades associadas ao dinheiro inteligente.
A consultora questiona diretamente os bancos: “Que papel irão desempenhar à medida que o dinheiro inteligente acelerado se torna cada vez mais comercial?”
Segundo a Capgemini, estão a emergir três abordagens, ou posições competitivas, distintas.
Os chamados participantes “reativos” preservam o acesso dos clientes, distribuindo capacidades de terceiros com um investimento próprio mínimo.
Os participantes “ofensivos” investem seletivamente em corredores prioritários, segmentos de clientes ou casos de utilização nos quais conseguem diferenciar-se de forma mais eficiente.
E os participantes “transformadores” procuram contribuir para a definição do próprio ecossistema, investindo em infraestruturas partilhadas, normas técnicas e participação nos mecanismos de governação.
Estas diferenças estratégicas já começam a ser evidentes, com as instituições que a consultora define como líderes a seguirem caminhos bastante diferentes dos seus concorrentes tradicionais.
“Nenhum dos líderes pretende adotar uma abordagem reativa, enquanto 40% dos bancos tradicionais o fazem. Entre os líderes, 67% pretendem adotar uma postura ofensiva, contra 43% dos bancos tradicionais, e 33% pretendem seguir uma abordagem transformadora, em comparação com apenas 17% do restante mercado”, refere o relatório.
Para a Capgemini, “ser líder significa cada vez mais tomar estas decisões agora e de forma deliberada, em vez de esperar que o mercado amadureça”, acrescentando que “esta escolha determina as capacidades que cada banco terá de desenvolver. Todas as instituições necessitarão de capacidades organizacionais e tecnológicas fundamentais, mas uma participação e um investimento mais profundos determinarão até onde cada concorrente avançará nos três domínios de capacidades que definem a estrutura do dinheiro inteligente: as capacidades «move-value» ajudam os bancos a coordenar dinheiro e liquidez entre contas, contrapartes, corredores e ecossistemas de pagamentos.
As capacidades «program-value» permitem incorporar automação, regras e execução inteligente nos fluxos de pagamentos, enquanto as capacidades «connect-value» vão mais longe, permitindo aos bancos contribuir para a definição de infraestruturas partilhadas, normas e mecanismos de governação em todo o ecossistema.
“A posição estratégica determinará a forma como um banco preservará a sua relevância na próxima era dos pagamentos: os bancos reativos poderão manter a sua relevância enquanto portas de acesso (gateways), os bancos ofensivos poderão competir como orquestradores, enquanto os bancos transformadores poderão moldar o ecossistema enquanto proprietários”, refere a consultora, salientando que “cada papel exige uma tese de investimento clara, uma agenda de capacidades focada, o modelo de parceria adequado e a ambição comercial necessária para executar essa estratégia”.
Uma conclusão parece certa: “a inércia não será uma estratégia bem-sucedida”.
Segundo a Capgemini, “à medida que o dinheiro inteligente acelera, o valor irá transferir-se do simples processamento de transações para a coordenação da liquidez, da execução, da inteligência e da confiança nos ecossistemas B2B”.
“Os bancos que se movimentarem primeiro — definindo onde irão atuar, como se irão diferenciar e quais as capacidades que precisam de desenvolver desde já — serão aqueles que irão definir as regras da concorrência na indústria dos pagamentos”, conclui.
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