5 min leitura
Christine Lagarde: “A subida dos juros não é a principal causa da crise na habitação”
Presidente do BCE disse no Parlamento Europeu que vê uma inflação mais elevada no horizonte, mas ainda sem sinais de que esteja consolidada
28 Set 2026 - 15:21
5 min leitura
Christine Lagarde presidente do BCE no Parlamento EuropeuFoto Parlamento Europeu
Mais recentes
- 60% das empresas estão dispostas a contratar serviços de stablecoins junto de entidades não bancárias
- Supervisor europeu dos seguros reduz em 26% os modelos de relatórios trimestrais e em 30% os anuais
- Concorrência dá ‘luz verde’ à compra da Caravela pela Allianz
- BCE diz que a fragmentação da banca europeia resulta de opções políticas
- BCE vai reforçar as inspeções presenciais feitas aos bancos
- ESMA reforça medidas para a concretização da União das Poupanças e do Investimento
Christine Lagarde presidente do BCE no Parlamento EuropeuFoto Parlamento Europeu
A presidente do Banco Central Europeu (BCE) defendeu nesta segunda-feira no Parlamento Europeu que os juros não são a principal razão para crise de habitação que se vive na União Europeia (UE). “Pessoalmente, entristece-me que as pessoas estejam a perder as suas casas e acompanho de perto o que está a acontecer em Espanha, mas sei que a questão das dificuldades no acesso à habitação também existe noutros países da UE”, afirmou.
Para Lagarde “como presidente do BCE, o que tenho de garantir é que exista estabilidade de preços. E um dos mecanismos de que dispomos para preservar essa estabilidade é a política monetária. Na última reunião, tomámos a decisão de aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,5%, e isso, numa fase posterior, vai refletir-se nos custos do crédito.”
“Os juros não são o principal fator na crise da procura e da oferta de habitação em muitos países. Segundo os nossos dados, as taxas das hipotecas aumentaram 0,01% como resultado da subida dos juros que decidimos fazer em junho, de 25 pontos base. Não é nos juros que se vai encontrar a solução para um problema fundamental: dar às pessoas uma casa para viver”, acrescentou aquela responsável que esteve nesta segunda-feira a ser ouvida na Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, onde apresentou uma visão geral sobre a forma como o BCE está a avaliar a evolução da inflação e de que modo esta irá influenciar as decisões de política monetária na próxima reunião, em outubro.
“A inflação geral subiu para 3,2% em agosto, face a 2,9% em julho. A inflação do setor energético atingiu 14,3%, depois de 10,3% em julho. Este aumento reflete, em particular, uma forte contribuição das margens de refinação de combustíveis líquidos, bem como a subida dos preços das matérias-primas energéticas. Ao mesmo tempo, a inflação dos preços dos alimentos caiu para 1,1% em agosto, face aos 1,2% registados em julho”, afirmou a presidente do BCE.
Para Lagarde, a “inflação, excluindo energia e alimentos, recuou para 2,4%, devido à descida da inflação dos serviços, apenas parcialmente compensada por um aumento da inflação dos bens. Até ao momento, os salários não demonstram uma resposta significativa ao choque energético. A remuneração por empregado, que mede o crescimento nominal dos salários, situou-se em 3,3% no segundo trimestre, face a 3,6% no primeiro trimestre”.
A projeção de setembro da equipa do BCE prevê uma inflação média de 3% em 2026, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. Segundo a presidente do BCE, “para a inflação excluindo energia e alimentos, a projeção prevê 2,5% em 2026, 2,6% em 2027 e 2,3% em 2028. As expectativas de inflação em horizontes mais curtos permanecem em níveis elevados, mas a maioria das medidas das expectativas de inflação de longo prazo situa-se em torno de 2%, o que favorece a estabilização da inflação em torno da meta no médio prazo”.
“O cenário continua cercado de grande incerteza, com riscos de subida para a inflação e riscos de descida para o crescimento económico”, acrescentou a presidente do BCE.
Segundo Lagarde, “ao enfrentar choques energéticos, o BCE tem uma estratégia muito clara: não reagimos aos preços da energia, mas sim quando identificamos riscos de que o aumento dos preços da energia se reflita na inflação. Avaliamos esses riscos através de uma análise abrangente baseada nos nossos três critérios: a perspetiva da inflação, onde analisamos a nossa previsão para a inflação e os riscos associados a ela; a dinâmica da inflação subjacente, que hoje se concentra principalmente na forma como o aumento dos preços da energia está a refletir-se noutros preços e nos salários; e, em terceiro lugar, a transmissão da nossa política monetária para os custos dos empréstimos e para o crescimento económico”.
“Analisando hoje estes três critérios, vemos uma inflação mais elevada no horizonte, mas ainda sem sinais de que esteja consolidada. A perspetiva de inflação será mais elevada em 2027 e 2028 do que prevíamos há alguns meses, principalmente devido ao aumento dos preços da energia. Mas, neste momento, não vemos evidências de que o aumento dos preços da energia esteja a impulsionar salários mais elevados. E, embora o crescimento se tenha mostrado resiliente, desde a nossa última reunião as taxas de juro de longo prazo subiram consideravelmente, o que irá desacelerar o crescimento e reduzir a transmissão da inflação mais do que o projetado na nossa análise de setembro”, afirmou a responsável.
Para Lagarde, “permanecemos no «caminho intermédio» para a política monetária que delineei no início deste ano. Isso significa que, embora o choque seja demasiado grande para ser ignorado, consideramos uma resposta moderada como apropriada para manter a inflação sob controlo”.
Mais recentes
- 60% das empresas estão dispostas a contratar serviços de stablecoins junto de entidades não bancárias
- Supervisor europeu dos seguros reduz em 26% os modelos de relatórios trimestrais e em 30% os anuais
- Christine Lagarde: “A subida dos juros não é a principal causa da crise na habitação”
- Concorrência dá ‘luz verde’ à compra da Caravela pela Allianz
- BCE diz que a fragmentação da banca europeia resulta de opções políticas
- ESMA reforça medidas para a concretização da União das Poupanças e do Investimento