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Christine Lagarde: “Estamos no caminho intermédio para a política monetária”

Presidente do BCE disse no Parlamento Europeu que vê uma inflação mais elevada no horizonte, mas ainda sem sinais de que esteja consolidada

28 Set 2026 - 15:21

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Christine Lagarde presidente do BCE no Parlamento EuropeuFoto Parlamento Europeu

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Female official with white hair and blue glasses speaking at a European Parliament press conference; mic in front, EU logo backdrop; name tag shows C. Lagarde.

Christine Lagarde presidente do BCE no Parlamento EuropeuFoto Parlamento Europeu

Em atualização

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) esteve nesta segunda-feira no Parlamento Europeu para ser ouvida na Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, onde apresentou uma visão geral sobre a forma como o BCE está a avaliar a evolução da inflação e de que modo esta irá influenciar as decisões de política monetária na próxima reunião, em outubro.

“A inflação geral subiu para 3,2% em agosto, face a 2,9% em julho. A inflação do setor energético atingiu 14,3%, depois de 10,3% em julho. Este aumento reflete, em particular, uma forte contribuição das margens de refinação de combustíveis líquidos, bem como a subida dos preços das matérias-primas energéticas. Ao mesmo tempo, a inflação dos preços dos alimentos caiu para 1,1% em agosto, face aos 1,2% registados em julho”, afirmou a presidente do BCE.

Para Lagarde, a “inflação, excluindo energia e alimentos, recuou para 2,4%, devido à descida da inflação dos serviços, apenas parcialmente compensada por um aumento da inflação dos bens. Até ao momento, os salários não demonstram uma resposta significativa ao choque energético. A remuneração por empregado, que mede o crescimento nominal dos salários, situou-se em 3,3% no segundo trimestre, face a 3,6% no primeiro trimestre”.

A projeção de setembro da equipa do BCE prevê uma inflação média de 3% em 2026, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. Segundo a presidente do BCE, “para a inflação excluindo energia e alimentos, a projeção prevê 2,5% em 2026, 2,6% em 2027 e 2,3% em 2028. As expectativas de inflação em horizontes mais curtos permanecem em níveis elevados, mas a maioria das medidas das expectativas de inflação de longo prazo situa-se em torno de 2%, o que favorece a estabilização da inflação em torno da meta no médio prazo”.

“O cenário continua cercado de grande incerteza, com riscos de subida para a inflação e riscos de descida para o crescimento económico”, acrescentou a presidente do BCE.

Segundo Lagarde, “ao enfrentar choques energéticos, o BCE tem uma estratégia muito clara: não reagimos aos preços da energia, mas sim quando identificamos riscos de que o aumento dos preços da energia se reflita na inflação. Avaliamos esses riscos através de uma análise abrangente baseada nos nossos três critérios: a perspetiva da inflação, onde analisamos a nossa previsão para a inflação e os riscos associados a ela; a dinâmica da inflação subjacente, que hoje se concentra principalmente na forma como o aumento dos preços da energia está a refletir-se noutros preços e nos salários; e, em terceiro lugar, a transmissão da nossa política monetária para os custos dos empréstimos e para o crescimento económico”.

“Analisando hoje estes três critérios, vemos uma inflação mais elevada no horizonte, mas ainda sem sinais de que esteja consolidada. A perspetiva de inflação será mais elevada em 2027 e 2028 do que prevíamos há alguns meses, principalmente devido ao aumento dos preços da energia. Mas, neste momento, não vemos evidências de que o aumento dos preços da energia esteja a impulsionar salários mais elevados. E, embora o crescimento se tenha mostrado resiliente, desde a nossa última reunião as taxas de juro de longo prazo subiram consideravelmente, o que irá desacelerar o crescimento e reduzir a transmissão da inflação mais do que o projetado na nossa análise de setembro”, afirmou a responsável.

Para Lagarde, “permanecemos no «caminho intermédio» para a política monetária que delineei no início deste ano. Isso significa que, embora o choque seja demasiado grande para ser ignorado, consideramos uma resposta moderada como apropriada para manter a inflação sob controlo”.

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