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Cinco maiores bancos moçambicanos com lucros de quase 600 mil euros por dia

No total, os cinco maiores bancos moçambicanos reportaram um lucro de 107,9 milhões de euros no primeiro semestre.

09 Set 2026 - 09:55

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Foto: Pexels

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Os cinco maiores bancos moçambicanos totalizaram lucros de cerca de 44,2 milhões de meticais (596 mil euros) por dia no primeiro semestre, segundo dados compilados pela Lusa a partir das demonstrações financeiras. De acordo com as contas divulgadas pelas instituições, os cinco bancos somaram resultados líquidos de 8 mil milhões de meticais (107,9 milhões de euros) nos primeiros seis meses de 2026. Os números agregam os resultados dos três bancos classificados pelo Banco de Moçambique como sistémicos, nomeadamente BCI, Millennium BIM e Standard Bank, bem como dos dois bancos considerados quase sistémicos, Absa Bank e Moza Banco.

O grupo BCI, o maior do país, com 2,5 milhões de clientes, foi responsável pela maior parcela dos resultados, com lucros consolidados de 3,34 mil milhões de meticais (45 milhões de euros) neste período. Seguiram-se o Standard Bank Moçambique, com lucros de 2,24 mil milhões de meticais (30 milhões de euros), o Absa Bank Moçambique, com 1,09 mil milhões de meticais (15 milhões de euros), o Millennium BIM, com 1,05 mil milhões de meticais (14,1 milhões de euros), e o Moza Banco, com 273,9 milhões de meticais (3,8 milhões de euros).

No Millennium BIM, os lucros caíram 37,2% face ao primeiro semestre de 2025. O Absa Bank Moçambique registou um crescimento homólogo de 29,6%, beneficiando da redução das perdas esperadas com crédito. Por sua vez, o Moza Banco regressou aos resultados positivos, depois dos prejuízos de 149,6 milhões de meticais (2,1 milhões de euros) registados no mesmo período de 2025.

Em conjunto, os cinco bancos encerraram o primeiro semestre com ativos superiores a 837,7 mil milhões de meticais (11,3 mil milhões de euros), depósitos de clientes superiores a 649,1 mil milhões de meticais (8,77 mil milhões de euros) e uma carteira agregada de crédito próxima de 183,1 mil milhões de meticais (2,47 mil milhões de euros).

Os resultados semestrais surgem após um ano de 2025 marcado pela pressão do risco soberano sobre a banca moçambicana, em que o BCI viu os lucros anuais recuarem 40,3%, para 3,6 mil milhões de meticais (48,6 milhões de euros), enquanto o Millennium BIM fechou o ano com apenas 201 milhões de meticais (2,7 milhões de euros), fortemente afetado pelas imparidades associadas à dívida pública. No Standard Bank, os lucros anuais diminuíram 26%, para 4,53 mil milhões de meticais (60,4 milhões de euros).

O BCI manteve em 2025 a liderança do sistema bancário moçambicano, detendo as maiores quotas de mercado em depósitos, crédito e ativos. A instituição tem um capital social de 10 mil milhões de meticais (135 milhões de euros), numa estrutura acionista liderada pela Caixa Participações, do grupo português CGD (51%), seguindo-se o BPI (35,67%) e a própria CGD (10,51%), entre outros acionistas.

O Millennium BIM é controlado pelo grupo português Millennium BCP através da BCP África, que detém 66,69% do capital social, seguindo-se o Estado moçambicano, com 17,12%, o Instituto Nacional de Segurança Social (4,95%) e a Empresa Moçambicana de Seguros (4,15%), entre outros acionistas.

Já o Standard Bank Moçambique é controlado em 98,15% pela Stanbic Africa Holdings Limited, sociedade integralmente detida pelo grupo sul-africano Standard Bank Group, um dos maiores grupos financeiros africanos.

O Absa Bank Moçambique tem o capital social detido em 98,68% pelo grupo sul-africano Absa, pertencendo os restantes 1,32% a acionistas minoritários.

Intervencionado em 2016 pelo Banco de Moçambique, o Moza Banco é atualmente detido em 66,1% pela Kuhanha – Sociedade Gestora do Fundo de Pensões dos trabalhadores do Banco de Moçambique, pela Arise B.V., com 30,7%, e pela Moçambique Capitais, com 3,2%.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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