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Cinco maiores bancos reduziram 283 trabalhadores no 1.º semestre
Os cinco maiores bancos empregam mais de 25 mil pessoas. CGD e BCP cortaram mais de 200 colaboradores cada num ano, enquanto Novo Banco e BPI aumentaram.
05 Ago 2026 - 15:23
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Os cinco maiores bancos tinham, no final de junho, 25 085 trabalhadores, menos 283 do que um ano antes, mas a dinâmica diverge entre instituições, segundo as contas do primeiro semestre.
Os dois principais bancos portugueses, Caixa Geral de Depósitos (CGD) e Millennium BCP, diminuíram o quadro de pessoal em mais de 200 pessoas cada. O BCP fechou junho com 5996 empregados, menos 228 do que em junho de 2025, e o banco público fechou com 5774 funcionários, menos 218.
Do Santander Portugal saíram 139 pessoas, tendo fechado junho com 4527 trabalhadores. O banco anunciou que tem em curso um plano de reformas antecipadas e redução de agências cujos custos deverão ascender a 25 milhões de euros este ano.
Por outro lado, o BPI aumentou o quadro de pessoal em 276 pessoas para 4630 e o Novo Banco aumentou 26 trabalhadores para 4158.
Estas contas dizem respeito ao saldo líquido entre saídas e contratações de trabalhadores. Por exemplo, o CEO da CGD disse recentemente que o banco público vai contratar mil trabalhadores nos próximos cinco anos (sobretudo para áreas de inteligência artificial e análise de dados) mas, ao mesmo tempo, todos os anos saem centenas do banco, pelo que o número líquido de trabalhadores vem diminuindo.
Depois de anos em que a banca reduziu muito a força de trabalho (sobretudo a partir de 2010, justificando com a crise), nos últimos anos esse processo continua, mas de forma mais ‘suave’ (e muitos bancos nem admitem a existência de planos formais de saída de pessoal). Mais recentemente, em alguns períodos, há bancos que vêm apresentando contratações líquidas.
Em geral, os bancos promovem a saída de trabalhadores mais velhos (a partir de 55 anos) – através de reformas antecipadas, pré-reformas e rescisões por acordo – e contratam mais jovens para adaptar a estrutura (torná-la mais dedicada a áreas tecnológicas e mais flexível) e baixar custos (os trabalhadores mais jovens são, em regra, mais baratos).
Segundo dados do Banco de Portugal (séries longas do setor bancário), no final de 2025, o setor contava com 60 321 empregados, no quarto ano consecutivo em que o número de trabalhadores subiu. Contudo, avisou o banco central, tal não significa “uma inversão do processo de ajustamento do setor”, pois o aumento reflete essencialmente “o crescimento do emprego numa entidade residente pertencente a um grupo internacional, que presta serviços a outras entidades do grupo à escala global e é atualmente o maior empregador do setor bancário em Portugal”.
Esse banco trata-se do BNP Paribas, que em junho anunciou que tem mais de 9700 trabalhadores em Portugal e quer ultrapassar a barreira dos 10 mil até ao final deste ano. Nos bancos de retalho e com fortes operações domésticas, os que têm mais funcionários são BCP e CGD.
Quanto à rede comercial, o número de agências vem continuando a encolher e o processo deverá manter-se, tendo em conta a crescente digitalização dos serviços. Os cinco maiores bancos fecharam o primeiro semestre com 1785 agências em termos agregados, menos 44 do que um ano antes.
A redução da rede das principais instituições deveu-se sobretudo ao Santander Portugal, que num ano fechou 66 agências, tendo agora 261. Também o BCP reduziu a rede, encerrando 11 balcões, tendo agora 385.
Indicaram crescimento da rede o BPI (mais cinco para 308 agências), o Novo Banco (mais 11 para 302) e a CGD (mais 17 para 529, entre agências e centros de empresa).
Segundo dados do BdP referentes a 2025, no final desse ano, havia 3182 agências em Portugal (menos 102 do que em 2024). O número de agências bancárias era, em 2025, cerca de metade do máximo registado em 2010 (6453).
A redução da rede comercial da banca tem sido um problema levantado em Portugal por deixar populações de zonas mais remotas sem acesso a serviços bancários presenciais.
Um estudo recente do BdP identificou 1241 freguesias que, em 2025, não tinham ponto de acesso a dinheiro físico, o que corresponde a 40% do total de freguesias. A maior parte das freguesias situam-se em zonas rurais.
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