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PCP acusa banca de ser um “sorvedouro de recursos do país” e quer fim de taxas e comissões
O PCP aponta que mais de metade do lucro dos grandes bancos nacionais veio das comissões e taxas cobradas, algo que o partido defende que deve acabar.
05 Ago 2026 - 17:00
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Paulo Raimundo | Foto: PCP
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Paulo Raimundo | Foto: PCP
O PCP considerou nesta quarta-feira os lucros da banca “uma expressão das profundas injustiças que marcam a vida nacional”, acusando o setor de ser um “sorvedouro de recursos do país” e pedindo o fim das taxas e comissões. Em comunicado, os comunistas sublinham que “enquanto as populações e os trabalhadores são diariamente confrontados com a falta de meios e recursos para satisfazer necessidades básicas”, a “banca comercial anuncia lucros conjuntos do primeiro semestre (dos cinco maiores bancos a operar em Portugal) de 2.519 milhões de euros, tendo 1.136 milhões (mais de metade) sido obtidos através de taxas e comissões bancárias”.
“Estes lucros, em contraste com a situação difícil que atinge a maioria da população, são uma expressão das profundas injustiças que marcam a vida nacional e que têm na banca privada um real sorvedouro de recursos do País (grande parte destes lucros vai parar ao estrangeiro), com custos para a atividade económica, especialmente para os MPME e para os trabalhadores e suas famílias”, escreve o PCP.
O partido considera que os lucros da banca “representam recursos extraídos diretamente à economia nacional” e são “extorquidos por via de taxas e comissões que urge limitar e mesmo pôr fim, como o PCP propõe”.
O PCP critica também que, ao mesmo tempo que regista lucros de milhões, a banca tenha encerrado, nos últimos anos, “centenas de balcões e serviços”, retirado caixas automáticos, despedido “milhares de trabalhadores”. “Atacou os seus direitos [dos trabalhadores], reduzindo a sua presença no território com impactos sociais e económicos, em nome do lucro e dos dividendos dos grandes acionistas a quem a banca já prometeu a quase integral atribuição dos lucros”, acrescenta no comunicado.
O partido denuncia também o que considera ser o “constante alinhamento de sucessivos governos com o capital financeiro”. “Das privatizações ao financiamento pelo Estado dos buracos da corrupção na banca, da chocante prescrição de crimes de cartelização (agora limitada pela intervenção e iniciativa do PCP na Assembleia da República) à violação das chamadas leis da concorrência, passando por escandalosos benefícios fiscais de largos milhões de euros à extorsão dos clientes através da cobrança de injustificáveis taxas e comissões”, exemplifica o PCP.
Para os comunistas, a “dimensão destes lucros não são nem expressão das virtudes da banca nem da situação económica do país, mas sim uma ilustração de uma política ao serviço do capital com a qual é preciso romper”.
Os cinco principais bancos a operar em Portugal tiveram lucros agregados superiores a 2,5 mil milhões de euros no primeiro semestre, num recuo de 3,4% face aos primeiros seis meses de 2025. Segundo contas da Lusa, Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Santander Portugal, BPI e Novo Banco – que representam mais de 80% do sistema bancário – registaram lucros totais de 2,52 mil milhões de euros, o que compara com resultados de 2,61 mil milhões de euros do período homólogo de 2025.
Dos cinco, dois registaram uma melhoria nos lucros (CGD e BCP) e três um recuo (Santander Portugal, BPI e Novo Banco).
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