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Cipollone: “O euro digital garante o máximo nível de privacidade que a tecnologia atual pode oferecer”
Membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu desmistifica receios de um futuro ‘Big Brother’ do Eurosistema
24 Ago 2026 - 11:31
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Piero Cipollone membro do Conselho Executivo do BCE | Foto BCE
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Piero Cipollone membro do Conselho Executivo do BCE | Foto BCE
Piero Cipollone, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE), considera infundados os receios sobre a monitorização dos hábitos de pagamento dos cidadãos europeus que optem por utilizar o euro digital. Em entrevista ao diário digital italiano ilsussidiario.net, reproduzida nesta segunda-feira no site do BCE, Cipollone afirma: “O euro digital garante o máximo nível de privacidade que a tecnologia atual pode oferecer.”
“O Eurosistema não poderá identificar os utilizadores que efetuam ou recebem pagamentos. Somente os bancos envolvidos na transação poderão fazê-lo, inclusive para fins de combate ao branqueamento de capitais”, refere aquele responsável, acrescentando: “Atualmente, no caso de uma transferência bancária, todos os detalhes da transação são conhecidos pelas partes envolvidas. O euro digital garantiria maior proteção da privacidade. Na prática, seja online ou offline, o Eurosistema não será capaz de associar diretamente indivíduos específicos a transações em euros digitais.”
Cipollone aproveitou para reafirmar que o euro digital “não substituirá o dinheiro físico, mas vai complementá-lo, por exemplo, em transações em que o dinheiro em espécie não pode ser utilizado, como nas compras online”.
“O BCE acaba de lançar uma consulta pública sobre o design das novas notas de euro, e não faria sentido fazê-lo se tivesse intenção de eliminar o dinheiro físico. Segundo, o euro digital foi projetado para funcionar offline e, nesse caso, as transações ocorrerão diretamente entre indivíduos, e os detalhes relacionados estarão disponíveis apenas para o pagador e para o beneficiário”, acrescentou Cipollone.
O membro do Conselho Executivo do BCE defendeu ainda o fim da fragmentação que existe no Mercado Único Europeu e que retira competitividade às empresas europeias. Para Cipollone, as restrições à livre circulação de bens e serviços, mesmo dentro do Mercado Único, impedem que as “empresas expandam os seus negócios, alcançando assim economias de escala que, por sua vez, reduzem os custos de produção – particularmente nos setores das TI, das finanças e da indústria transformadora tradicional, como o setor automóvel”.
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