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Empresários moçambicanos querem do banco central soluções para estabilidade cambial
O líder do setor privado nacional falava, em Maputo, na 22.ª edição do balanço económico referente ao desempenho empresarial no segundo trimestre e as perspetivas deste setor.
10 Set 2026 - 15:35
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Empresários moçambicanos disseram nesta quinta-feira que esperam da nova liderança do banco central soluções de estabilidade macroeconómica e cambial e garantias de condições para financiar a produção, pedindo uma gestão de liquidez que reduza a “compressão” de crédito empresarial. “Para o setor privado, um dos grandes desafios será encontrar o equilíbrio entre a necessária estabilidade macroeconómica, cambial e monetária e a necessidade de garantir condições para financiar a produção, o investimento e o emprego”, disse o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Álvaro Massingue.
O líder do setor privado nacional falava, em Maputo, na 22.ª edição do balanço económico referente ao desempenho empresarial no segundo trimestre e as perspetivas deste setor, em que defendeu que os empresários esperam igualmente uma atuação do Banco Central que contribua para melhorar o funcionamento do mercado financeiro. “Esperamos igualmente uma gestão da liquidez que permita reduzir o chamado efeito de compressão do crédito ao setor privado, num contexto em que o elevado endividamento público interno continua a absorver recursos do sistema financeiro”, disse Massingue.
Os patrões moçambicanos querem que o banco central garanta maior previsibilidade, comunicação e coordenação das políticas monetária, cambial, fiscal e financeira, pedindo uma transmissão “mais efetiva” das decisões de política monetária para a economia real, permitindo que a redução das taxas de referência se traduza progressivamente em menores custos de financiamento para as empresas.
“Atualmente, apesar da redução acumulada da taxa MIMO, o custo do crédito continua elevado, com a ‘prime rate’ do sistema financeiro em 15,5%, antes dos spreads de risco aplicados pelos bancos comerciais”, disse Massingue.
Os empresários querem ver retomado o Comité de Política Monetária+1 (CPMO+1), um encontro entre o Banco de Moçambique e o setor privado, após as sessões do Comité de Política Monetária, onde o banco central apresenta a fundamentação e as motivações que norteiam as suas decisões, bem como esclarecer as dúvidas dos empresários sobre os diversos aspetos relativos à abordagem da política monetária.
O Presidente moçambicano nomeou para governador em 1 de setembro o economista Felisberto Dinis Navalha, com um percurso de 28 anos no banco central, um dia depois de ter indicado Waldemar Fernando de Sousa para o cargo, alegando “questões supervenientes” – conhecidas após a decisão -, depois de divulgados pormenores da investigação ao seu alegado envolvimento no processo das dívidas ocultas do Estado.
No mesmo despacho, Chapo nomeou Benedita Maria Guimino como vice-governadora, recompondo assim o principal órgão do Banco de Moçambique, após dez anos de liderança de Rogério Zandamela.
Ao conferir posse ao novo governador do banco central, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, desafiou-o a trabalhar na estabilidade macroeconómica, acompanhando a agenda de transformação em curso e conhecendo a realidade além dos números.
“Corrija aquilo que precisa de ser corrigido. Modernize aquilo que precisa de ser modernizado e prepare o Banco de Moçambique para servir uma economia que está determinada a transformar-se com as várias reformas que estamos a levar a cabo”, disse Chapo.
O chefe de Estado afirmou então que o “caminho para a independência económica”, objetivo traçado desde que chegou ao poder, em 2025, “será longo e não existem atalhos”, contando para isso com o banco central: “Teremos de produzir mais, poupar mais, investir mais, exportar mais, gerir prudentemente os nossos recursos. O Banco de Moçambique tem um papel fundamental neste percurso, porque a estabilidade que procuramos não é a estabilidade da imobilidade, é a estabilidade que gera confiança, permite investir permite fazer poupança e produzir e acompanha a transformação de Moçambique”.
Agência Lusa
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