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Existem bancos que fazem testes de stress para “agradar” à supervisão
Autoridade Bancária Europeia comparou vários planos de recuperação e identificou casos em que instituições realizam exercícios “à medida” dos reguladores
13 Abr 2026 - 18:07
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A Autoridade Bancária Europeia (EBA) publicou nesta segunda-feira um relatório que compara a forma como os bancos testam a implementação dos seus planos de recuperação através de simulações. Segundo a EBA, “num contexto de crescente incerteza e da necessidade contínua de preparação operacional e resiliência face a eventos de stress inesperados, a análise confirma que as simulações são uma ferramenta eficaz para reforçar a operacionalização dos planos de recuperação e aumentar a prontidão das instituições para crises”.
O regulador europeu refere que a comparação dos vários exercícios demonstra que “quando utilizadas de forma adequada, as simulações melhoram a capacidade das instituições de responder a situações de stress de forma atempada e fiável”.
A análise revela ainda que a maioria das instituições reconhece o valor dos testes simulados e utiliza as lições aprendidas para aperfeiçoar os seus planos de recuperação.
Mas nem tudo está bem. Segundo a EBA “as abordagens e os níveis de maturidade variam significativamente entre as instituições”. “Quando os testes simulados são realizados principalmente para responder às expectativas da supervisão, tendem a ser menos eficazes, assemelhando-se a exercícios de conformidade, com aprendizagens limitadas e ações de seguimento reduzidas”, esclarece o supervisor. Acrescenta ainda que, “em contrapartida, as instituições com práticas mais avançadas utilizam os testes simulados como verdadeiras ferramentas de gestão, integrando plenamente o planeamento de recuperação na sua estrutura mais ampla de gestão de riscos. Nesses casos, os testes simulados reforçam a preparação interna, melhorando a credibilidade, a viabilidade e a compreensão organizacional dos mecanismos de planeamento de recuperação”.
O relatório refere igualmente que, “embora o envolvimento das autoridades competentes nos testes de stress permaneça limitado, algumas instituições indicaram planos para reforçar essa participação — nomeadamente ao nível da troca de informação e, potencialmente, da participação direta — com o objetivo de aumentar a eficácia dos exercícios. Isto poderá também constituir um passo adicional para reforçar o realismo das simulações”.
O supervisor considera que os testes de stress e, de forma mais ampla, o enquadramento de gestão de crises “poderiam beneficiar de sinergias mais fortes entre as autoridades e de uma melhor integração das atividades de teste (por exemplo, recuperação e resolução). Tal abordagem ajudaria a reduzir a duplicação de esforços, tanto para as instituições como para as autoridades, promovendo simultaneamente a consistência dos pressupostos e dos resultados entre exercícios”.
“Para além dos ganhos de eficiência, um maior alinhamento contribuiria também para um quadro de supervisão e de resolução mais coerente e para reforçar a eficácia global do processo de testagem”, refere o documento.
Olhando para o futuro, a EBA destaca a importância de as instituições manterem testes regulares e de elevada qualidade dos principais elementos dos seus planos de recuperação, bem como de continuarem a aperfeiçoar as suas práticas de simulação.
A EBA refere ainda que este relatório é particularmente oportuno à luz de desenvolvimentos recentes e futuros, incluindo a publicação do Manual da EBA sobre Exercícios de Simulação para Autoridades de Resolução, que define metodologias e boas práticas para exercícios coordenados, bem como a preparação do futuro mandato da EBA no âmbito do Regulamento de Gestão de Crises e Seguro de Depósitos (CMDI), que visa coordenar exercícios de simulação em toda a União Europeia entre autoridades competentes e de resolução.
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