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Fabio Panetta prevê um sistema financeiro com dinheiro “totalmente digital”
Governador do Banco de Itália e membro do Comité de Política Monetária do BCE afirma que o papel das stablecoins será complementar ao das moedas tradicionais.
21 Jan 2026 - 17:39
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Fabio Panetta, governador do Banco de Itália/Foto: Linkedin do Banco de Itália
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Fabio Panetta, governador do Banco de Itália/Foto: Linkedin do Banco de Itália
O dinheiro dos bancos comerciais está destinado a tornar-se totalmente tokenizado no futuro, tal como o dinheiro dos bancos centrais, e ambos continuarão a ancorar o sistema monetário, afirmou nesta quarta-feira Fabio Panetta, um influente membro do Comité de Política Monetária do Banco Central Europeu (BCE), citado pela agência Reuters.
Num discurso dirigido à associação bancária italiana, o governador do Banco de Itália afirmou ser difícil prever a evolução das stablecoins, mas sublinhou que o seu papel no sistema monetário só poderá ser complementar, uma vez que a sua estabilidade apenas pode ser garantida por uma moeda tradicional com paridade fixa.
As stablecoins são normalmente referenciadas a um ativo financeiro convencional, geralmente colateralizadas por uma moeda — como o dólar norte-americano — ou por outros ativos financeiros, como títulos do Tesouro. “É certo que se irão desenvolver, porque existe um forte incentivo por parte do governo dos Estados Unidos”, afirmou Panetta, acrescentando que Washington tem promovido os ativos digitais para sustentar a procura por dólares.
“Não é claro qual será o papel final das stablecoins, mas acredito que o sistema continuará centrado no dinheiro do banco central e dos bancos comerciais; ambos terão de se tornar digitais”, acrescentou o responsável.
Para garantir que o dinheiro do banco central continue relevante numa economia cada vez mais digital e para proteger a soberania monetária europeia, o BCE pretende lançar um euro digital em 2029.
“Prevejo que o dinheiro dos bancos comerciais também se torne, em grande medida, tokenizado”, disse Panetta. A tokenização refere-se à conversão de activos financeiros em tokens digitais, emitidos e registados num livro-razão distribuído, como a blockchain.
O projeto do euro digital tem enfrentado resistência por parte dos bancos, sobretudo na Alemanha, que receiam a concorrência direta do BCE.
Panetta alertou ainda que os recentes desenvolvimentos geopolíticos demonstram que pode ser arriscado para a Europa depender de empresas norte-americanas como a Visa, a Mastercard e o PayPal para mais de dois terços dos seus pagamentos.
Enquanto membro da Comissão Executiva do BCE, antes de assumir o cargo de governador do banco central italiano, Panetta liderou o projeto do euro digital. “Quando discuti este tema com bancos de um grande país europeu que se opunham ao euro digital por temerem perder os 30% dos pagamentos que processavam digitalmente, disse-lhes: em vez de se preocuparem com esses 30%, pensem em quem controla os 70% que já perderam”, concluiu.
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