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FMI pede aos banqueiros centrais que “falem com humildade”

Fundo Monetário Internacional pede cuidado com as previsões anunciadas e diz que a comunicação não deve revelar “detalhes em excesso”

26 Ago 2026 - 16:37

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Christine Lagarde, presidente do BCE e Kristalina Georgieva presidente do FMI/Foto: FMI

Christine Lagarde, presidente do BCE e Kristalina Georgieva presidente do FMI/Foto: FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou, nesta quarta-feira, uma nota onde procura definir aquilo que considera serem os bons princípios para uma comunicação eficaz da política monetária por parte dos bancos centrais.

Aquele organismo, liderado por Kristalina Georgieva, chama a atenção para o facto de que, “num mundo de choques frequentes e de rápida evolução, onde a incerteza é elevada e os mercados reagem instantaneamente, os bancos centrais enfrentam um desafio fundamental de comunicação: como ajudar o público a compreender os objetivos da política monetária, explicando simultaneamente como esta pode evoluir à medida que as condições económicas se alteram”.

Os especialistas do FMI pedem aos banqueiros centrais que “falem com humildade” e que promovam, nas suas narrativas, “uma melhor compreensão do quadro político”. “Isso significa ser claro quanto aos objetivos do banco central, à função de reação e às previsões. Dado o elevado grau de incerteza global, os bancos centrais precisam de ser explícitos quanto aos riscos, com o objetivo de refletir com precisão o grau de incerteza macroeconómica subjacente”, adianta a nota.

Explicar os riscos e as incertezas que rodeiam as decisões de política monetária é fundamental para o FMI. “Os bancos centrais comunicam as suas perspetivas sobre a economia por meio de previsões e cenários. Isso é crucial porque as decisões políticas são baseadas na direção que se espera que a macroeconomia tome”, refere a nota, que salienta: “as previsões não são promessas. Num mundo propenso a choques, estão sujeitas a uma enorme incerteza. Se as previsões forem comunicadas com demasiada precisão, ou se as projeções das taxas de juro forem interpretadas como compromissos, as revisões podem ser mal interpretadas como reversões de políticas. Neste contexto, os cenários podem ajudar a ilustrar como a política poderá responder a diferentes cenários económicos, reforçando simultaneamente que as decisões futuras dependerão dos dados disponíveis e da evolução das condições”.

Outra sugestão do FMI diz respeito aos detalhes que alguns banqueiros centrais gostam de dar nas conferências de imprensa em que explicam as suas decisões de política monetária.

“Uma comunicação clara pode ancorar expectativas e promover a responsabilização. Mas mais comunicação nem sempre é melhor. As redes sociais, a análise automatizada de notícias e a inteligência artificial permitem que as comunicações dos bancos centrais sejam analisadas em tempo real”, diz o FMI, para quem “detalhes em excesso podem levar os mercados a concentrarem-se excessivamente em decifrar o banco central, em vez de avaliarem os fundamentos. Portanto, a condicionalidade em relação à evolução das perspetivas é fundamental”.

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