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Fundo Florestas de Portugal vê capital reforçado e ambiciona atingir 20 milhões de euros ainda este ano

Investimento foi reforçado para 12 milhões de euros por grupos como Corticeira Amorim, Jerónimo Martins, Mota-Engil, Fidelidade e REN, elevando valor do fundo. Estratégia aposta na gestão sustentável, créditos de carbono e expansão territorial, com meta de chegar aos 20 milhões de euros até ao final de 2026.

22 Abr 2026 - 14:40

4 min leitura

Foto: Jornal PT50/Luís Alves Almeida

Foto: Jornal PT50/Luís Alves Almeida

O Fundo Florestas de Portugal acaba de reforçar o seu capital para cerca de 12 milhões de euros, com a entrada de novos investidores – Corticeira Amorim, Fidelidade, Jerónimo Martins, Mota-Engil e REN – consolidando uma iniciativa que pretende posicionar a floresta como ativo económico e ambiental de longo prazo.

A lógica do investimento assenta na gestão ativa de recursos agroflorestais, com geração de valor através de madeira, cortiça e outros produtos, mas também de serviços de ecossistema, como créditos de carbono. Segundo Manuel Álvares de Calvão, administrador executivo da Fidelidade SGOIC, o reforço de capital “é um sinal claro da confiança dos investidores” e deverá crescer já este ano, com a ambição de atingir 20 milhões de euros.

Um ativo subexplorado

A apresentação do fundo, que teve lugar na manhã desta quarta-feira na sede da Fidelidade, destacou o potencial ainda por explorar da floresta portuguesa. Para o consultor ambiental João Gama Amaral, existe uma oportunidade de investir entre 3,5 e 4 milhões de hectares adicionais, ao reiterar que o país precisa de aumentar significativamente a área florestal nas próximas décadas. “O desafio tem de ser assumido em termos da gestão”, afirmou, defendendo uma abordagem preventiva que reduza riscos futuros, nomeadamente incêndios.

A estratégia do fundo assenta num planeamento integrado (prevenção, produção e conservação) e numa lógica de “capital natural”, que valoriza água, biodiversidade e carbono como ativos económicos. O consultor e CEO da NBI – Natural Business Intelligence, Nuno Gaspar de Oliveira, realçou que a floresta continua a rimar com problema, mas pode tornar-se uma fonte de valor se for gerida com escala e visão de longo prazo.

“Quando combinamos créditos de carbono com a acionabilidade da natureza, o valor sobe em 100% dos casos”, garantiu, defendendo uma leitura económica dos benefícios ambientais, incluindo custos evitados. Recordou, a título de exemplo, os cerca de seis mil milhões de euros em danos causados pelas tempestades que afetaram o país no início do ano, ao argumentar que uma gestão mais resiliente poderia ter reduzido significativamente esse impacto.

Escala e território como entraves

Apesar do potencial, a expansão do fundo enfrenta obstáculos estruturais, sobretudo a fragmentação da propriedade florestal em Portugal. Como explicou Nuno Gaspar de Oliveira ao Jornal PT Green, a dificuldade em agregar terrenos compromete a escala necessária para viabilizar economicamente projetos desta natureza, sobretudo em regiões mais densamente povoadas.

Ainda assim, o fundo já iniciou investimentos no Alentejo e prepara a expansão para Trás-os-Montes, mantendo-se aberto à entrada de novos investidores privados. A expectativa é que o capital atual funcione como “seed capital”, capaz de alavancar montantes mais elevados e gerar retorno não só financeiro, mas também público, através da valorização dos ecossistemas.

No cenário atual de alterações climáticas e risco crescente de incêndios, os promotores defendem que a floresta pode deixar de ser vista como passivo e passar a ser tratada como infraestrutura estratégica, desde que haja investimento, gestão profissional e um horizonte de longo prazo.

Promovido pela Fidelidade, através da sua sociedade gestora de ativos reais, o fundo insere-se na estratégia de descarbonização do grupo segurador. O CEO, Rogério Campos Henriques, enquadrou o projeto como parte do plano Net Zero da seguradora, que prevê cortar em 50% as emissões operacionais até 2030 e atingir a neutralidade em 2040. “Temos de atuar”, afirmou, defendendo que o fundo poderá marcar uma mudança estrutural na forma como a floresta é gerida em Portugal.

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