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João Pedro Oliveira e Costa: “Entendo as regras do Banco de Portugal, mas não há fundamento”

O CEO do BPI considera que a medida macroprudencial que entra em vigor amanhã não vai "diminuir o malparado nem alterar em nada o balanço dos bancos"

31 Jul 2026 - 12:08

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João Pedro Oliveira, ceo do BPI | foto: diasporaportuguesa

João Pedro Oliveira, ceo do BPI | foto: diasporaportuguesa

A medida macroprudencial do Banco de Portugal que restringe a concessão de crédito e entra em vigor amanhã deverá ter um impacto superior a 10% no negócio do crédito à habitação do BPI. A estimativa foi avançada esta sexta-feira por João Pedro Oliveira e Costa. O CEO do banco afirmou que compreende as novas regras, mas considera que “não existe fundamento para elas”.

“Na minha opinião, esta não era uma prioridade. Vamos, obviamente, cumprir, mas existiam outras alternativas. Haverá uma redução superior a 10% na contratação de crédito à habitação, mas a medida não diminui o malparado nem altera em nada o balanço dos bancos”, afirmou.

Para o CEO do BPI, a habitação é “uma questão estratégica, central e crítica”.

“Não acredito em nenhuma medida que faça estabilizar os preços da habitação se não passar pela construção de mais casas. A única solução é construir muito mais habitação”, acrescentou.

João Pedro Oliveira e Costa defendeu ainda que “não há casas para as pessoas comprarem”.

“Os volumes de crédito à habitação explicam-se porque são as mesmas casas a mudar de mãos. A mesma habitação pode ser transacionada mais de três vezes”, afirmou.

“A lei da oferta e da procura funciona sempre”, sublinhou o CEO do BPI, reforçando que a habitação constitui um desafio estratégico para o país.

“Precisamos de reter os jovens em Portugal. A principal razão para a saída dos jovens é o preço da habitação, não são os salários. Isto é insustentável.”

O responsável considerou ainda que “se queremos que a população portuguesa, nascida em Portugal, cresça, temos de manter os nossos jovens no país”.

“Não é o mercado de topo que vem tirar casas aos portugueses. É preciso fazer mais e falar menos”, afirmou.

João Pedro Oliveira e Costa defendeu também que a garantia pública no crédito à habitação jovem “foi uma resposta útil para um problema”.

“Houve milhares de jovens que conseguiram comprar uma casa. Caso contrário, muitos teriam emigrado”, concluiu.

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