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João Talone: “Hoje as empresas vão à falência não pela conta de exploração, mas pelo balanço!”
O antigo CEO da EDP e ex-presidente da Direção do Instituto Português de Corporate Governance defende a divulgação dos mapas de risco das empresas e das medidas que deles constam
16 Set 2026 - 16:44
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João Talone ex CEO da EDP e general partner na Magnum Capital | Foto Melissa Dores
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João Talone ex CEO da EDP e general partner na Magnum Capital | Foto Melissa Dores
João Talone foi um dos primeiros presidentes da Direção do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) e tem uma carreira de décadas nos mais importantes ‘boards’ das empresas nacionais. Presente na segunda edição dos Top Talks, organizada pelo Jornal PT50 em parceria com a CFA Society Portugal, a Euronext Lisbon e a Ivens – Governance Advisors, que se realizou ontem em Lisboa, o gestor partilhou algumas das suas inúmeras experiências na área do governance.
“A preocupação dos acionistas institucionais é que a empresa tenha pessoas competentes nos órgãos executivos que defendam a empresa, que não estejam ao serviço específico de nenhum acionista em particular, mas ao serviço de uma estratégia que represente todos os interesses”, afirmou.
Para Talone, “os membros do ‘board’ têm de ser todos muito competentes para poderem estar alerta e preparados para desafiar os executivos e para fazer as perguntas certas”.
Aquele responsável relatou a sua experiência no INSEAD – Institut Européen d’Administration des Affaires, uma das principais escolas de gestão do mundo, onde encontrou colegas que “não sabiam ler o balanço de uma empresa… e que estavam designados para entrar para o ‘board’ ou já eram mesmo membros do ‘board’. Eu sempre achei fundamental ter informação financeira”.
“Hoje as empresas vão à falência não pela conta de exploração, mas pelo balanço”, afirmou Talone, acrescentando que “o tema dos riscos e a identificação dos riscos é fundamental e cada vez mais importante. A sua gestão e quantificação periódica têm de ser feitas”.
O gestor defende que “se deve publicar o mapa de riscos a que a empresa pode estar sujeita e as medidas que estão planeadas para os gerir”. Por isso, considera que “no Comité de Auditoria não podem estar presentes representantes dos acionistas estratégicos. Porque o Comité de Auditoria é técnico e precisa de liberdade para poder recolher a informação de que necessita”.
Talone admite que o tema é delicado, mas refere que “a empresa existe para atingir os objetivos para os quais foi criada e não para atingir objetivos pessoais”.
Para João Talone, as questões fundamentais do governance prendem-se com “o rigor e a qualidade da informação, a idoneidade dos gestores (quer eles representem os acionistas ou não), a competência, a transparência (o que não podes dizer não deves escrever) e o clima social da organização”.
No caso das empresas que têm o Estado entre os acionistas, Talone recorda que “nas empresas públicas, os administradores têm a obrigação fiduciária de dizer não se existir uma tomada de decisão ilegítima”.
Por último, e em tom provocatório, João Talone deixou um desabafo: “No ESG (Environmental, Social and Governance), o S é a letra mais desprezada”.
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