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Lucro do moçambicano BCI cai 40,3% para 48,6 milhões
A exposição à dívida pública de Moçambique continua a ser a principal razão pela quebra do lucro do BCI. Já em 2024 o banco tinha registado uma descida de 26,18%.
21 Mai 2026 - 09:39
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Foto: BCI
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Foto: BCI
Os lucros do BCI, maior banco moçambicano, recuaram 40,3% em 2025, para 3,6 mil milhões de meticais (48,6 milhões de euros), devido à exposição à dívida pública da instituição liderada pela Caixa Geral de Depósitos (CGD). No relatório e contas, a que a Lusa teve acesso, a administração afirma que “manteve a sua posição de liderança no sistema bancário nacional, servindo cerca de 2,5 milhões de clientes” em 2025.
Acrescenta que o resultado líquido “foi impactado por fatores não recorrentes, nomeadamente o reforço das imparidades para as exposições à dívida pública, em resposta ao agravamento do risco soberano, e pelos custos extraordinários associados aos processos de devolução de comissões, mantendo-se ainda assim num nível sólido”.
Os lucros do BCI já tinham recuado 26,18% em 2024, para 6,04 mil milhões de meticais (81,5 milhões de euros, ao câmbio atual), contra o recorde de 8,18 mil milhões de meticais (110,4 milhões de euros) de resultados líquidos registado em 2023.
Em 2025, o ativo total do BCI cresceu 3,96%, para 240,5 mil milhões de meticais (3,25 mil milhões de euros), incluindo 72,27 mil milhões de meticais (975,5 milhões de euros), menos 7,59% face a 2024, em crédito bruto a clientes, e 191,7 mil milhões de meticais (2,59 mil milhões de euros), mais 4,47%, em depósitos dos clientes.
O produto bancário do BCI cresceu 4,23%, para 22,37 mil milhões de meticais (303 milhões de euros) até dezembro, enquanto o rácio de crédito em incumprimento, na ótica do banco central moçambicano, cresceu 3,21 pontos percentuais, para 14,18%.
Em termos de quotas de mercado, o BCI lidera nos depósitos (24,32% do total dos bancos), no crédito (24,64%) e nos ativos (21,96%), tendo fechado 2025 com 211 agências e 2702 trabalhadores. “A sua presença continua a ser a mais extensa e capilar do sistema financeiro”, destaca a administração do BCI, acrescentando que os indicadores de 2025 “traduzem uma relação de confiança construída de forma consistente ao longo do tempo, através de uma presença próxima e de um serviço orientado para as necessidades reais dos moçambicanos”.
O BCI tem um capital social de 10 mil milhões de meticais (135 milhões de euros), numa estrutura acionista liderada (51%) pela Caixa Participações, do grupo CGD, contando com o banco português BPI (35,67%) e ainda diretamente pela CGD (10,51%), entre outros.
O presidente da comissão executiva da CGD, Paulo Macedo, afirmou a 5 de maio, em Maputo, que a continuidade em Moçambique depende dos entendimentos com as autoridades nacionais e enquanto o grupo português for “bem-vindo”. A posição foi transmitida após ter sido recebido na Presidência da República pelo chefe de Estado, Daniel Chapo. “Reafirmar o nosso interesse e o nosso compromisso em continuar a apoiar o BCI e ter a nossa presença aqui através do BCI, que é um banco moçambicano, mas que nós continuamos a pretender ser acionistas. E dissemos ao senhor Presidente da República que essa nossa intenção será enquanto as autoridades o acharem conveniente e enquanto formos bem-vindos”, reiterou.
O interesse na continuidade da CGD na estrutura acionista do BCI já tinha sido manifestado antes, em finais de fevereiro, a propósito da intenção do português BPI de vender a sua posição no banco moçambicano.
O líder do grupo bancário português afirmou ter transmitido ao Presidente moçambicano que a Caixa está no país “nos bons momentos e nos momentos menos bons”. “Tem havido um conjunto de dificuldades designadamente naturais e outras, e económicas e geopolíticas e, portanto, a Caixa percebe que é nestes momentos que também deve afirmar a sua presença”, disse.
Paulo Macedo disse ter abordado ainda a possibilidade de o banco poder ser cotado na bolsa moçambicana.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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