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O futuro dos pagamentos passa pela utilização das carteiras digitais, da IA Generativa e do “click to pay”
Estudo da Juniper Research mostra que tecnologias vão vigorar no mundo dos pagamentos e quais aquelas que já estão em declínio
12 Ago 2026 - 07:30
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Foto: Nickel
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Foto: Nickel
O relatório Consumer Payments Tech Horizon 2026, da empresa de estudos de mercado britânica Juniper Research, analisou quais as tecnologias de pagamento com melhor desempenho e quais aquelas que vão vingar no futuro. As carteiras digitais dos bancos, a intervenção da Inteligência Artificial (IA) Generativa e o ‘click to pay’ nas redes de cartões serão as que vão ditar as regras de como vamos pagar nos próximos anos.
A Juniper Research identificou as carteiras apoiadas por bancos (bank-backed wallets), o comércio através de IA Generativa (agentic commerce) e o Click to Pay como as três principais tecnologias com maior dinâmica no segmento dos pagamentos de consumo. Prevê-se que estas tecnologias registem uma evolução significativa no mercado, tendo em conta o desenvolvimento e o desempenho esperado das mesmas nos próximos 12 meses.
As carteiras apoiadas por bancos foram consideradas uma tecnologia abaixo da linha na edição de 2025 do Consumer Payments Tech Horizon, mas, na avaliação da Juniper Research para 2026, registaram uma melhoria significativa do seu desempenho.
Esta evolução ocorre numa altura em que o Wero está a expandir-se gradualmente na Europa, demonstrando o forte potencial de uma carteira apoiada por bancos. O crescimento adicional do Wero, o lançamento de novas carteiras apoiadas por bancos e a decisão da Apple de abrir as suas capacidades NFC a terceiros serão determinantes para o sucesso futuro previsto destas carteiras.
No caso da utilização da IA Generativa, “o mercado de pagamentos está a avançar e a investir fortemente no desenvolvimento de capacidades e infraestruturas de pagamentos para suportar este modelo”, refere aquele relatório, acrescentando que “com o passar do tempo, acreditamos, na realidade, que a adoção inicial do comércio via IA Generativa ficará aquém das expectativas. Apesar de continuar a representar uma aposta forte a longo prazo, numa primeira fase, o comércio através de IA deverá registar uma adoção incerta, uma vez que questões relacionadas com a responsabilidade e a incerteza quanto à procura por parte dos consumidores deverão limitar o seu crescimento”.
Em relação ao ‘Click to Pay’ — um sistema de pagamentos online que permite aos consumidores pagar com cartão sem terem de introduzir manualmente os dados do cartão em cada compra —, embora o sistema tenha sido lançado apenas em 2019, rapidamente ganhou relevância devido aos requisitos das redes de pagamentos, que obrigam os emissores a implementar esta tecnologia.
Em Portugal, no caso da Visa/UNICRE, a solução começou a operar em 1 de janeiro de 2026. Até maio, já estava disponível em cerca de 1.000 comerciantes online, tendo 418 realizado transações através do Click to Pay, num valor superior a 2 milhões de euros.
No caso da Mastercard, a solução também já está disponível em Portugal. Em janeiro de 2026, a Nickel Portugal tornou-se a primeira fintech portuguesa a disponibilizar o Click to Pay da Mastercard na sua aplicação.
Segundo a Mastercard, em junho de 2026, o Click to Pay estava disponível em 32 mercados europeus, no âmbito de uma estratégia para eliminar progressivamente a introdução manual dos dados dos cartões até 2030.
O Click to Pay constitui uma alternativa ao modelo de cartão armazenado (card-on-file), que exige que os clientes se registem e guardem os dados do seu cartão separadamente junto de cada comerciante. O Click to Pay pretende simplificar os processos de pagamento como convidado (guest checkout), nos quais o cliente está a efetuar uma compra pela primeira vez.
Desde o seu lançamento, em 2019, a adoção do Click to Pay no momento do pagamento junto dos comerciantes aumentou significativamente, à medida que os prestadores de serviços de pagamento passaram a ser obrigados pelas redes de cartões a implementar esta solução.
“Esta evolução é importante, uma vez que os pagamentos com cartão enfrentam uma forte concorrência no momento do pagamento por parte dos «botões de compra» das carteiras digitais, que não exigem a introdução de informações de pagamento e permitem concluir uma compra com apenas dois cliques — um para comprar e outro para confirmar”, refere o estudo da Juniper Research.
O relatório refere que “daqui em diante, esperamos que a adoção do Click to Pay aumente significativamente, tanto à medida que as redes de cartões continuam a incentivar a sua utilização, como à medida que cresce a familiaridade dos consumidores com a solução”, acrescentando que “esperamos também novas iniciativas por parte das redes de cartões e dos prestadores de serviços de pagamento destinadas a incentivar ainda mais o registo no Click to Pay, contribuindo para aumentar significativamente a sua utilização”.
Uma última palavra para o ‘Buy Now, Pay Later’. Trata-se de uma tecnologia frequentemente designada por planos de pagamento em prestações, que ainda se encontra numa fase inicial, mas que rapidamente se tornou um interveniente relevante no panorama dos pagamentos.
Segundo a Juniper Research, “enquanto alternativa ao crédito, o BNPL responde a uma das principais dificuldades dos consumidores financeiramente vulneráveis, que receiam ver o seu pedido de crédito recusado caso seja realizada uma avaliação de crédito mais rigorosa”.
Segundo dados do Consumer Payments Tech Horizon 2026, “o BNPL deverá representar quase 490 mil milhões de dólares (424 mil milhões de euros) em despesa dos consumidores em bens físicos até 2030, demonstrando que esta modalidade continua a registar um crescimento significativo”.
“Isto não significa, contudo, que os diferentes prestadores de BNPL estejam a atravessar um período fácil. O mercado de BNPL está muito saturado em termos de operadores, o que significa que a maioria dos prestadores individuais deverá perder terreno ou enfrentar dificuldades devido à concorrência”, refere aquele estudo, acrescentando que “as empresas fintech de BNPL estão a perder quota de mercado, enquanto os bancos, as superapps e as redes de cartões de crédito estão a ganhar quota. Empresas de BNPL pioneiras, como a Klarna e a Affirm, também continuam a manter a sua popularidade, deixando muito pouco espaço para crescer aos operadores mais pequenos e aos novos participantes no mercado”.
Segundo o estudo, “a intervenção regulatória ajudará a colocar o BNPL numa base mais estável para o crescimento, mas esta modalidade enfrenta vários desafios importantes, nomeadamente a dificuldade em acompanhar vários planos de pagamento BNPL em simultâneo. Esta dificuldade é agravada pelo elevado número de prestadores de BNPL existentes.” Isto sugere que existe espaço no mercado para aplicações que permitam ligar-se a vários prestadores, ajudando os consumidores a acompanhar os seus diferentes planos de pagamento.
Existe sempre a preocupação dos supervisores sobre a concessão excessiva de crédito. “Os prestadores de BNPL realizam avaliações de crédito menos rigorosas do que os operadores de cartões de crédito. Isto significa que o crédito pode ser concedido a consumidores que não têm capacidade para o pagar, conduzindo eventualmente a situações de incumprimento”, acrescenta aquele relatório.
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