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No futuro, serão vários modelos de IA a discutir entre si qual o melhor produto ao melhor preço para oferecer ao consumidor
A UNICRE realizou um encontro para discutir o futuro dos pagamentos com IA. Os exemplos de utilização de modelos de Inteligência Artificial multiplicam-se e a crescente exigência de personalização está a mudar a forma de comprar.
21 Mai 2026 - 11:44
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Paulo Dimas do Center for Responsible IA /Foto: Melissa Dores
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Paulo Dimas do Center for Responsible IA /Foto: Melissa Dores
Imaginem que a escolha do melhor produto ao melhor preço para satisfazer as necessidades do consumidor deixa de ser feita através da visita a várias lojas físicas ou virtuais e passa a resultar de uma discussão entre vários agentes de Inteligência Artificial, que negoceiam entre si para alcançar o melhor resultado para o cliente. Este futuro, que já começa a fazer parte do presente, foi discutido esta quinta-feira pela UNICRE, num encontro subordinado ao tema “O Futuro dos Pagamentos com Inteligência Artificial”, realizado em Lisboa e que reuniu vários especialistas na matéria.
Um desses especialistas foi Paulo Dimas, do Center for Responsible AI, que, através de vários exemplos, mostrou como a IA está a evoluir na capacidade de utilizar ferramentas. “Estamos numa fase em que a IA tem capacidade para recolher e interpretar dados, transformando-os em inteligência”, afirmou o especialista.
Paulo Dimas deu o exemplo de um pedido feito a um modelo de IA para encontrar e agendar um fim de semana num hotel em Coimbra. O modelo pesquisou, encontrou opções, pediu autorização a Dimas para aceder ao seu email, enviou uma mensagem ao hotel a perguntar se existiam vagas e confirmou posteriormente a reserva.
Outro exemplo foi o da senhora Daisy, uma idosa de 80 anos, dona do gato Fluffy, que mais não é do que um modelo de IA criado por uma empresa britânica para distrair burlões que tentam enganar pessoas idosas através de chamadas telefónicas maliciosas. O modelo de IA Daisy tem capacidade para conversar com o burlão até que este desista da fraude.
Paulo Dimas abordou ainda o modelo Claude Mythos, da Anthropic, que está a colocar o mundo financeiro global em alerta. Embora considere que este modelo de IA “está num nível de desenvolvimento semelhante ao de outros produtos de IA comparáveis”, o especialista alertou para o risco de se conceder aos modelos de IA “capacidades de programação”.
“É preciso distinguir entre aquilo que pode ser automatizado e aquilo que pode aumentar a nossa capacidade”, referiu o especialista, dando mais um exemplo de utilização de modelos de IA: “Imaginem uma pequena empresa que não tem um departamento jurídico e que recebe um contrato para analisar. Posso recorrer a um agente de IA e adicionar-lhe competências jurídicas que permitam analisar o respetivo contrato.”

Roza Marina Mellou da Mastercard
Outra intervenção sobre a influência da IA no comércio foi a de Roza Marina Mellou, da Mastercard, que fez uma resenha histórica desde o tempo em que apenas as pessoas físicas podiam comprar, passando pelas compras online, até ao momento atual, em que modelos de IA sugerem ao consumidor o que comprar e a que preço.
“Os consumidores esperam experiências cada vez mais personalizadas e utilizam sistemas agênticos para encontrar rapidamente aquilo de que precisam. Num mundo em que o ChatGPT recebe 2,5 mil milhões de perguntas por dia, cerca de 58% das pessoas em todo o mundo já utilizam IA para fazer compras e 63% utilizam IA para comparar serviços e preços”, acrescentou a especialista, salientando que, de acordo com um estudo da Deloitte, no futuro cerca de 30% do e-commerce será substituído pelo Agentic Commerce.
Segundo Roza Mellou, “as pessoas que compram com IA não o fazem da mesma forma que as pessoas que compram no e-commerce”, salientando que existem três grandes formas de comprar através de modelos de IA: “A chamada compra única, em que o consumidor pede ajuda à IA para encontrar um produto com determinadas características e que, depois de selecionado, é pago pelo próprio consumidor; as chamadas compras múltiplas, em que o consumidor pede à IA que encontre vários produtos, compare preços e escolha a melhor opção, como acontece tipicamente na marcação de férias; e, por último, a forma mais temida pelos especialistas, em que o consumidor faz uma pré-programação da IA para descobrir um determinado produto e adquiri-lo automaticamente quando este atingir um certo preço.”
Segundo a especialista, “no futuro já não haverá consumidores a navegar em sites de compras, mas sim bots pré-programados a fazer essas escolhas”.
A Mastercard está a responder a esta mudança de paradigma do e-commerce para o Agentic Commerce através do seu produto Agent Pay, que estabelece um ecossistema de agentes de IA seguros, alinhados com determinados princípios e colocados à disposição dos clientes.
O Agent Pay procura também estabelecer um conjunto de standards de interface para ajudar a internet a adaptar-se ao facto de deixarem de ser os humanos a navegar na web, passando essa função para modelos de IA capazes de dialogar entre si.
“O setor dos pagamentos está em velocidade de cruzeiro. É preciso conseguir manter a lealdade do cliente e, simultaneamente, aumentar a personalização das experiências dos consumidores”, afirmou Roza Mellou.
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