2 min leitura
O voto como decisão económica
Por João Morais Barbosa, CEO da Reorganiza
28 Mai 2025 - 09:58
2 min leitura
Mais recentes
- Cerca de 500 funcionários do Banco de Portugal vão pagar com euros digitais
- GAFI lança alerta sobre lacunas regulatórias perante ativos virtuais cada vez mais complexos
- Revolut obtém autorização preliminar para prestar serviços de criptoativos nos EAU
- Portugueses preocupados com fenómenos climáticos extremos na compra de nova habitação
- Fusão da Veridas e da Fourthline para combater a fraude de identidade digital
- ‘Stock’ de ações cotadas sobe 600 milhões em junho
No rescaldo das eleições legislativas, muito se tem falado de aritmética parlamentar, acordos possíveis, coligações improváveis. Mas, para lá da espuma política, há um país que continua a viver, a trabalhar, a decidir. E a incerteza política tem um custo. Não é um custo abstrato, é real: afeta a confiança, atrasa decisões de investimento, congela planos de crescimento, alimenta o receio dos consumidores.
Num momento em que Portugal enfrenta desafios estruturais, do crescimento económico à sustentabilidade da Segurança Social, da habitação ao papel do Estado na economia, o sentido do voto deveria ter sido também uma resposta a essas questões. Mas será que foi?
Com um novo ciclo político prestes a começar, torna-se urgente reforçar um debate que tem andado demasiado ausente: o da educação económica e financeira. Porque se é verdade que votar é um ato cívico, também é, cada vez mais, um ato económico. E compreender as consequências práticas das opções políticas, nas contas públicas e privadas, é essencial para empresas e cidadãos.
As empresas, por exemplo, precisam de previsibilidade para tomar decisões de médio e longo prazo. E a indefinição sobre impostos, incentivos, reformas e investimento público pode travar muito mais do que parece. Já os consumidores, pressionados por uma inflação persistente, taxas de juro ainda altas e salários que nem sempre acompanham o custo de vida, reagem com prudência. Cortam onde podem. Adiam o que não é essencial.
Neste cenário, o mais importante talvez seja lembrar que a política económica não é só feita no Parlamento. É feita, todos os dias, nas escolhas que os cidadãos e as empresas fazem: onde investem, como poupam, o que consomem, o que adiam. Mas para que essas escolhas sejam racionais, é preciso que o contexto seja claro, e estável.
A instabilidade política tem, por isso, um impacto que vai muito além dos círculos de poder. Mexe com a confiança. E sem confiança, a economia desacelera.
A democracia não termina no voto. Começa aí. Mas o resto, o futuro, depende da clareza com que o país for capaz de tomar decisões informadas, tanto nas urnas como fora delas.
Mais recentes
- Cerca de 500 funcionários do Banco de Portugal vão pagar com euros digitais
- GAFI lança alerta sobre lacunas regulatórias perante ativos virtuais cada vez mais complexos
- Revolut obtém autorização preliminar para prestar serviços de criptoativos nos EAU
- Portugueses preocupados com fenómenos climáticos extremos na compra de nova habitação
- Fusão da Veridas e da Fourthline para combater a fraude de identidade digital
- ‘Stock’ de ações cotadas sobe 600 milhões em junho