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Os medos de Miguel Maya: «Fake news, cibersegurança e habitação»

O CEO do Millennium bcp partilhou um conjunto de reflexões sobre a atualidade nacional e internacional, invocando o Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, no dia em que é celebrado

06 Nov 2026 - 17:37

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Miguel Maya CEO Banco Millennium BCP | Foto Banco Millennium BCP

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Miguel Maya CEO Banco Millennium BCP | Foto Banco Millennium BCP

O CEO do Millennium bcp foi o convidado de mais um almoço-debate organizado pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), no dia em que é celebrado o Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, canonizado pelo Papa Bento XVI com o nome de São Nuno de Santa Maria.

Miguel Maya inspirou-se na vida do Santo para apresentar um conjunto de reflexões sobre liderança e gestão, mas também elencou as suas principais preocupações para o futuro: a «desinformação, a cibersegurança e a habitação».

«A desinformação é assustadora. Uma notícia negativa propaga-se sete vezes mais depressa do que uma positiva. Hoje, em vez de jornais, leio aquilo que um conjunto de pessoas escreve», afirmou o responsável.

Ao nível da cibersegurança, Maya afirmou: «Hoje, tudo está no digital. O que me tira o sono é a possibilidade de sofrer um ciberataque ao banco que me impeça de prestar os serviços necessários aos clientes durante vários dias». O CEO do Millennium admitiu que o banco enfrenta diariamente ataques que consegue contrariar, «mas estou certo de que um dia eles vão conseguir».

Relativamente à habitação, o CEO do BCP considerou que «existiu uma falta de planeamento», acrescentando que «não é possível crescer sem estabilidade» e que «é preciso resolver os problemas a tempo. Estamos a atrasar evoluções e a dar espaço para que apareçam revoluções».

Ainda sobre a habitação, Miguel Maya afirmou que «temos de ter a coragem de tomar as decisões nos momentos certos. É dizer “não” quando é preciso dizer “não”».

Questionado sobre a necessidade de alterar o produto «crédito à habitação», o responsável referiu que este tornou possível que 70% dos portugueses tenham casa própria, acrescentando: «O crédito à habitação é, ao mesmo tempo, um crédito e uma poupança. Na reforma, o mutuário tem um ativo financeiro que pode converter em liquidez, enquanto quem arrenda não tem esse ativo».

Para o responsável do Millennium bcp, «não faz sentido conceber produtos financeiros que estão baseados numa vida dos mutuários que vai em crescendo… isso não existe». Para tornar os produtos financeiros mais flexíveis, Miguel Maya defendeu que a «regulação tem de permitir desenhar produtos de crédito à habitação muito mais flexíveis» e apontou como exemplo «as moratórias que existiram no período da Covid-19. Devíamos ter aprendido com isso».

Maya fez também uma retrospetiva da evolução do Millennium bcp, referindo que, em 2019, ficou claro para o banco que era «necessário mudar». Recordou, a este propósito, o seu primeiro plano, designado «Plano Mobilizar». «Era preciso mobilizar as pessoas e era necessário incrementar o mobile. Antigamente, as pessoas visitavam as agências bancárias, em média, duas vezes por mês. Hoje, em média, as pessoas contactam o seu banco, presencialmente e através do telemóvel, 34 vezes por mês», referiu.

«Nunca vivi momentos em que existissem tantos “cisnes negros”», afirmou Miguel Maya, referindo-se à imprevisibilidade dos tempos atuais. «Tudo evolui. Temos de estar preparados para um mundo em que as mudanças não são constantes», acrescentou, sublinhando que «é um tempo em que é preciso reforçar as instituições face à instabilidade. Há hoje menos pessoas a viver em democracia do que há dez anos».

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