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Prestação média dos empréstimos à habitação sobe para 432 euros, o valor mais elevado desde o início da série
Taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação aumenta para 2,89%. Em maio, 85% dos novos contratos foram celebrados com taxa mista
03 Jul 2026 - 11:59
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Foto: Adobe Stock/Kenishirotie
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Um dia depois de o Banco de Portugal ter divulgado as novas regras macroprudenciais aplicáveis à concessão de crédito à habitação e ao consumo, os dados revelados nesta sexta-feira pelo supervisor confirmam alguns dos sinais de alerta identificados.
A prestação média mensal do stock de empréstimos à habitação aumentou pelo nono mês consecutivo, atingindo os 432 euros, o valor mais elevado desde o início da série estatística. Trata-se de um aumento de quatro euros face a abril e de 14 euros em comparação com o final de 2025. Esta evolução resultou tanto do aumento da prestação média dos contratos já existentes como dos novos contratos, que apresentaram prestações médias mais elevadas.
Outro sinal de risco é o facto de, em maio, 85% dos novos empréstimos à habitação terem sido contratados com taxa mista, ou seja, com uma taxa de juro fixa durante um período inicial, seguida de uma taxa variável. Nas novas operações com taxa mista, a taxa de juro média aumentou 0,03 pontos percentuais, para 2,77%. Já nas novas operações com taxa variável, a taxa média subiu 0,07 pontos percentuais, para 3,05%.
O Banco de Portugal considera que a elevada prevalência da taxa mista na celebração de novos contratos constitui um fator de risco para o sistema financeiro, uma vez que protege temporariamente as famílias dos efeitos da subida das taxas de juro. Numa conjuntura de aumento das taxas, a prestação mantém-se inalterada durante o período de taxa fixa. No entanto, quando esse período termina e o contrato passa para taxa variável, o aumento da prestação pode ser significativo, agravando o risco de incumprimento.
A taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação aumentou 0,04 pontos percentuais em maio, fixando-se em 2,89%. Esta subida refletiu a evolução dos novos contratos, cuja taxa média passou de 2,86% em abril para 2,91% em maio. Já a taxa de juro média dos contratos renegociados manteve-se nos 2,83%.
Em maio, as novas operações de empréstimos aos particulares totalizaram 3.785 milhões de euros, o mesmo montante registado no mês anterior. O aumento das novas operações de crédito à habitação e de empréstimos para outros fins, de 12 milhões de euros e cinco milhões de euros, respetivamente, compensou a redução de 17 milhões de euros no crédito ao consumo.
Os novos contratos de crédito à habitação aumentaram 89 milhões de euros, totalizando 2.168 milhões de euros. Os empréstimos para outros fins cresceram 13 milhões de euros, para 294 milhões de euros, enquanto os empréstimos ao consumo diminuíram 17 milhões de euros, para 640 milhões de euros.
As renegociações totalizaram 683 milhões de euros, menos 84 milhões de euros do que no mês anterior. Esta redução concentrou-se sobretudo nas renegociações de crédito à habitação, que diminuíram 76 milhões de euros.
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