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Receitas das ‘fintechs’ a nível mundial crescem 22% e atingem 435,7 mil milhões
O estudo da BCG nota que o setor entrou numa "nova fase de maturidade", onde se destaca a aplicação da IA e o estreitamento da diferença regulatória entre bancos e 'fintechs'.
17 Ago 2026 - 12:22
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O universo das ‘fintechs’ continua em expansão e 2025 assistiu a uma “nova fase de consolidação e crescimento”, de acordo com o Global Fintech Report 2026: From Recovery to Resurgence, da Boston Consulting Group (BCG), que revela que as receitas globais do setor aumentaram 22% para 435,7 mil milhões de euros. Segundo o estudo, este crescimento equivale a mais do quádruplo do das instituições financeiras tradicionais.
O ano de 2025 ficou marcado por uma “maior rentabilidade, disciplina operacional e um papel cada vez mais relevante na transformação dos serviços financeiros”, aponta a BCG. As ‘fintechs’ representam atualmente cerca de 4% das receitas globais dos serviços financeiros, “um marco que confirma a sua evolução de segmento emergente para setor com escala própria, ainda com amplo potencial de crescimento”.
A maturidade do mercado, argumenta o estudo, é visível através de vários indicadores: 74% das maiores ‘fintechs’ cotadas já são rentáveis, acima das 68% um ano antes, e a margem média de margem operacional subiu de 16% para 20%.
Já o financiamento em capital próprio disparou 53%, alcançando 50,14 mil milhões de euros, “acompanhando o regresso do investimento a empresas com modelos mais sólidos, maior disciplina operacional e perspetivas sustentadas de crescimento”.
Ainda sobre o investimento em ‘fintech’, a BCG realça que, em 2025, “os mercados de saída voltaram a ganhar tração”. O número de IPO subiu 50% para 42 e o volume global de fusões e aquisições cresceu de 159,1 mil milhões em 2024 para 217 mil milhões em 2025. “Esta evolução confirma a entrada do setor numa nova fase de maturidade, maior seletividade e relevância estratégica crescente na transformação dos serviços financeiros”, sublinha.
Estreitamento regulatório entre bancos e ‘fintechs’
O estudo da BCG nota que o “estreitamento progressivo da diferença regulatória entre bancos e ‘fintechs’” é uma das mudanças mais relevantes no setor. A consultora recorda que os processos de licenciamento e obtenção de estatuto bancário estão a ficar mais acessíveis, apesar de exigirem mais ao nível da governação, risco, ‘compliance’ e supervisão.
“No último ano, várias ‘fintechs’ de grande escala avançaram com pedidos de licenças bancárias federais nos EUA, procurando reduzir custos de financiamento, ganhar maior controlo sobre a oferta de produtos e reforçar a relação direta com o cliente”, aponta a BCG, acrescentando que “o número de pedidos de licenças bancárias federais e de novas instituições de depósito aumentou mais de cinco vezes entre 2024 e 2025, sinalizando uma aproximação crescente das ‘fintechs’ ao perímetro regulatório tradicional”.
Mais ainda, “o relatório destaca ainda a evolução dos neobancos como uma das dinâmicas mais estruturantes da próxima fase do setor”, sendo que “os principais operadores estão a alargar a sua proposta de valor para áreas como crédito, investimento, seguros, transferências internacionais e soluções de poupança para clientes com maior capacidade financeira – passando de modelos assentes num único produto para plataformas financeiras mais completas, com maior capacidade para aprofundar a relação com o cliente”.
O estudo alerta, contudo, que esta evolução não vai ser homogénea entre geografias. Na Europa, o contexto regulatório exigente e a presença de incumbentes com raízes fortes favorece “estratégias de parceria e complementaridade, em vez de disrupção direta”. Neste sentido, indica que “Portugal, inserido neste quadro europeu e com um ecossistema ‘fintech’ em crescimento, acompanha estas tendências globais num contexto de digitalização acelerada dos serviços financeiros
‘Fintechs’ que aplicam IA eficazmente crescem em produtividade
A BCG adianta que a “Inteligência Artificial” está também a alterar a forma como o setor compete”. “As ‘fintechs’ que conseguem aplicar esta tecnologia de forma eficaz estão a alcançar ganhos de produtividade de desenvolvimento até cinco vezes superiores, com impacto mais evidente em áreas como engenharia, avaliação de risco, ‘compliance’ e apoio ao cliente”, realça.
A BCG considera que, “mais do que a adoção de ferramentas, o verdadeiro diferencial está na capacidade de redesenhar fluxos de trabalho e modelos operacionais para gerar ganhos concretos de eficiência, escala e desempenho”.
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