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O maior receio das empresas nos pagamentos em numerário é enganarem-se no troco

BCE realizou um inquérito sobre o uso de dinheiro em espécie nos 21 países da zona euro. 92% das empresas inquiridas dizem que vão continuar a aceitar numerário nos próximos cinco anos

14 Ago 2026 - 07:30

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Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

A estratégia do Eurosistema para o dinheiro em espécie visa assegurar que o euro físico permaneça amplamente disponível, acessível e aceite, tanto como meio de pagamento como enquanto reserva de valor. Nesse sentido, o Banco Central Europeu (BCE) realizou um inquérito sobre o uso de dinheiro em espécie pelas empresas na área do euro em 2021, 2024 e 2026, com o objetivo de compreender a visão das empresas sobre a utilização e a aceitação de numerário nos pagamentos e perceber como o dinheiro físico se compara com outros meios de pagamento.

Entre outras questões, a entidade liderada por Christine Lagarde procurou perceber qual a atitude das empresas em relação ao dinheiro em espécie e quais as preferências dos clientes relativamente aos métodos de pagamento. O BCE procurou ainda identificar os receios e as vantagens associados aos pagamentos em numerário, em comparação com os métodos de pagamento digitais, bem como o comportamento das empresas em termos de levantamentos e depósitos de dinheiro.

Realizado nos 21 países da zona euro, o inquérito envolveu 8.205 entrevistas, das quais 401 foram realizadas em Portugal. O estudo, divulgado esta semana, abrangeu várias empresas do setor do comércio a retalho, incluindo cafés, mercearias, oficinas, supermercados e hipermercados, cinemas, livrarias e postos de abastecimento de combustível, entre outros, e revelou alguns resultados surpreendentes.

Assim, por exemplo, quando o BCE perguntou a todas as empresas que aceitam pagamentos em numerário “Quais são as maiores preocupações ao lidar com pagamentos em dinheiro?”, dando aos inquiridos a possibilidade de elencarem, por ordem hierárquica, as três maiores preocupações, a primeira foi “o risco de erros no troco”, mencionada por 32% das empresas. A segurança, com 29%, ficou em segundo lugar, enquanto os riscos de fraude interna, com 20%, surgiram em terceiro.

“As empresas estão menos preocupadas com os custos do levantamento e depósito de dinheiro ou com a disponibilidade desses serviços”, refere o BCE.

“Em todos os tipos de estabelecimentos do comércio a retalho, mais de nove em cada dez PME aceitam dinheiro em espécie, com taxas a variar entre 91% (nas lojas que não são supermercados e que vendem bens de uso diário) e 96% (nos postos de abastecimento de combustível). No setor das artes, entretenimento e tempos livres, o dinheiro em espécie é aceite com mais frequência (90%) pelas PME cuja principal atividade está relacionada com as artes cénicas, como teatros e bares com música ao vivo, e com menos frequência em instalações desportivas (82%)”, revela o inquérito realizado em 2026.

Em sete dos 21 países da zona euro, a taxa de aceitação de dinheiro em numerário nos restaurantes será de 100% em 2026, o que significa que todos os restaurantes da amostra declararam aceitar dinheiro. No outro extremo, nos Países Baixos, apenas 78% dos restaurantes aceitam numerário.

No comércio a retalho, a variação entre as PME é menor. Na Grécia e na Eslovénia, as taxas de aceitação de dinheiro são de 100%, enquanto na Bélgica, Letónia, Países Baixos e Finlândia menos de 90% dos retalhistas aceitam numerário.

Às empresas que aceitam pagamentos em dinheiro em estabelecimentos físicos foi colocada a seguinte questão: “Acha que continuará a aceitar pagamentos em dinheiro nos próximos cinco anos?” Mais de nove em cada dez (92%) das empresas que atualmente aceitam pagamentos em numerário afirmam que continuarão a fazê-lo, enquanto 6% dizem que não e 2% não têm a certeza de que continuarão a aceitar pagamentos em dinheiro nos próximos cinco anos.

Na maioria dos países, a grande maioria das PME indica que continuará a aceitar pagamentos em numerário no futuro. No entanto, em Chipre (51%), na Grécia (23%) e na Bulgária (18%), uma parcela significativa das PME afirma que poderá deixar de aceitar pagamentos em dinheiro no futuro.

As empresas que declararam não aceitar dinheiro em espécie nos seus estabelecimentos físicos foram questionadas sobre os seguintes pontos: Quais são os principais motivos pelos quais a sua empresa decidiu não aceitar dinheiro em espécie?” As empresas podiam selecionar até três motivos de uma lista.

Os motivos mais frequentemente mencionados para a não aceitação de dinheiro em espécie são os seguintes: o dinheiro em espécie não é utilizado com frequência suficiente pelos clientes (36%); depositar ou levantar dinheiro é inconveniente ou difícil (35%); e o dinheiro em espécie representa um risco para a segurança (29%).

A percentagem de empresas que não aceitam dinheiro em espécie devido à inconveniência de depositar ou levantar numerário ou por motivos de segurança aumentou desde 2024.

Um quarto das empresas na zona euro afirma ter implementado medidas para incentivar o uso de pagamentos digitais ou reduzir os pagamentos em numerário. Os tipos de medidas mais frequentemente mencionados estão relacionados com a aquisição de caixas de pagamento que aceitam pagamentos sem dinheiro ou com a redução do número de caixas de pagamento que aceitam numerário, medidas mencionadas por 37% das empresas que implementaram alguma iniciativa. Seguem-se as atividades destinadas a promover e divulgar os pagamentos digitais, referidas por 30% das empresas.

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