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Santander muda regras de atribuição de bónus aos seus banqueiros
Instituição liderada por Ana Botín elimina o critério da sustentabilidade e reduz para dois os parâmetros de avaliação qualitativa
09 Jul 2026 - 11:11
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Ana Botín, CEO do Santander | Foto: FEM/Ciaran McCrickard
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Ana Botín, CEO do Santander | Foto: FEM/Ciaran McCrickard
O Banco Santander alterou os critérios de atribuição de bónus aos seus banqueiros, excluindo os profissionais da banca de investimento. Segundo o diário digital Expansión, que cita um documento da instituição liderada por Ana Botín, a palavra de ordem é a «simplificação» e o «alinhamento» com a estratégia do banco. Assim, as métricas utilizadas para determinar o cumprimento dos objetivos anuais da remuneração variável passam de nove para seis já este ano.
«O quadro revisto reforça o alinhamento com os objetivos apresentados no Dia do Investidor do Santander e avança na simplificação do sistema de avaliação», explica um documento do banco citado nesta quinta-feira por aquele jornal.
O capítulo mais afetado é o relativo aos critérios qualitativos, que passam a ser avaliados com base em apenas dois parâmetros, quando no ano passado eram quatro. Os critérios que se mantêm são o plano de risco e conformidade, que visa reforçar a prudência na gestão e o alinhamento com as expectativas dos reguladores, e o desempenho relativo face ao mercado, utilizado como referência externa para avaliar o posicionamento do Santander em relação aos seus concorrentes.
A sustentabilidade e a colaboração dentro do grupo deixaram de ser critérios autónomos de avaliação, embora o Santander sublinhe a importância da primeira e assegure que continuará a ser considerada nos critérios que permanecem em vigor, bem como nos incentivos de longo prazo.
«Como parte da simplificação do quadro de remuneração variável, a sustentabilidade deixa de ser considerada um componente qualitativo independente. No entanto, para além da incorporação de indicadores de gestão dos riscos ambientais e sociais na avaliação qualitativa de risco e conformidade, os objetivos relacionados com a sustentabilidade continuarão refletidos nos incentivos de longo prazo, em linha com o seu horizonte temporal plurianual», explica o banco.
A componente quantitativa do bónus anual passa de cinco para quatro critérios, verificando-se igualmente alterações nos indicadores escolhidos. A rendibilidade dos capitais próprios tangíveis (Return on Tangible Equity – ROTE) regressa após ter sido eliminada no ano passado e passa a ter um peso de 35%, o mais elevado entre todos os fatores. A geração de capital surge em segundo lugar, com uma ponderação de 25%.
Os custos constituem outro dos aspetos centrais do novo plano estratégico, representando 20% do bónus, tal como o crescimento do número de clientes ativos. Este último é o único critério que, juntamente com a geração de capital, mantém a mesma formulação do ano passado, embora com uma ponderação superior: 20%, face aos 10% de 2025.
Os critérios de risco e conformidade podem aumentar ou reduzir o bónus em 15%, mais cinco pontos percentuais do que no ano passado. Já a métrica de desempenho relativo face ao mercado pode influenciar o bónus em 10%, para cima ou para baixo.
O Santander tem defendido que a avaliação qualitativa é tão objetiva quanto a quantitativa. Estas métricas são «mensuráveis, auditáveis e relevantes para a execução da estratégia de longo prazo da empresa», referia o relatório anual de 2024.
A presidente executiva do Santander, Ana Botín, e o CEO, Héctor Grisi, estão abrangidos por estas alterações e irão estrear o novo sistema de bónus de curto prazo já este ano, tal como os restantes membros da liderança executiva, da qual faz parte o português Pedro Castro e Almeida, Chief Risk Officer do Grupo, bem como a maioria dos trabalhadores.
Existem apenas dois grandes grupos de colaboradores que ficam de fora desta reforma. O primeiro é a rede comercial, que dispõe de um sistema de incentivos específico, orientado para as suas funções e para os produtos que o banco pretende comercializar.
O segundo grupo é constituído pelos banqueiros de investimento, que mantêm parâmetros próprios para determinar os seus bónus, em função da carteira de mandatos, do sucesso das operações realizadas ou das condições contratuais acordadas aquando da sua contratação ou nomeação para o cargo.
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