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Santos Pereira: “Tive mais-valias de 3.361 euros, que doei imediatamente à Make-A-Wish Foundation”
Governador do Banco de Portugal diz que a compra de ações quando já era governador foi “uma imprevidência"
09 Jul 2026 - 14:45
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Audição 17/9 parlamento, Álvaro Santo Pereira
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Audição 17/9 parlamento, Álvaro Santo Pereira
O governador do Banco de Portugal obteve mais-valias de 3.361 euros com a venda das ações da Jerónimo Martins, Galp Energia, Navigator e Nestlé que tinha adquirido depois de ter tomado posse como presidente do supervisor da banca.
Na sequência de um requerimento apresentado pelo Chega, Álvaro Santos Pereira foi ouvido esta quinta-feira na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP) sobre a compra de ações quando já era governador do Banco de Portugal.
Na sua intervenção inicial, Álvaro Santos Pereira referiu que “no dia 1 de abril, o Banco Central Europeu (BCE) transmitiu-me que a compra de ações não era permitida. Os títulos tinham de ser vendidos, o que foi feito imediatamente. As regras do BCE permitem que os governadores detenham títulos de empresas não financeiras quando tomam posse, mas impedem qualquer compra posterior”.
“Não obtive qualquer benefício pessoal com estas operações. As mais-valias, no montante de 3.361 euros, foram imediatamente doadas à Make-A-Wish Foundation, que desenvolve um trabalho que valorizo muito”, acrescentou.
Para Santos Pereira, “este processo nasceu de um mal-entendido e é a prova de que os mecanismos do BCE e do Banco de Portugal funcionam. Todos estes passos são a marca de um sistema que funciona”, acrescentando que a compra das ações foi realizada com fundos próprios.
O governador recordou que “considero indispensável o cumprimento das obrigações éticas; trata-se de um compromisso que assumo com a maior responsabilidade”, acrescentando que “o escrutínio público é uma exigência”.
“Foi uma imprevidência, sem dúvida, e ninguém lamenta mais essa imprevidência do que eu”, disse Álvaro Santos Pereira aos deputados, revelando que tomou conhecimento de que não podia comprar ações numa reunião de preparação com responsáveis do BCE: “Explicaram-me que eu podia deter ações se já as tivesse, mas não podia adquirir novas ações”.
O governador recordou ainda que “os colaboradores do Banco de Portugal não estão impedidos de comprar ações de empresas não financeiras. Têm, no entanto, de comunicar essas compras à Comissão de Ética do Banco”.
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