Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

4 min leitura

São os mais velhos que estão a puxar pelo mercado de trabalho

BCE diz que o adiamento da reforma tem sido um fator crucial para o crescimento do emprego. Indivíduos entre os 55 e os 74 anos contribuíram duas vezes mais para o aumento da taxa de emprego do que aqueles com idades entre os 25 e os 54 anos.

13 Mai 2026 - 16:00

4 min leitura

BCE sede | Foto: ecb multimedia

BCE sede | Foto: ecb multimedia

Um estudo do Banco Central Europeu, divulgado nesta quarta-feira, mostra que são as pessoas mais velhas que estão a impulsionar o crescimento do mercado de trabalho. Intitulado “O que impulsiona as tendências de emprego entre os trabalhadores mais velhos?”, o trabalho, da autoria de Nina Furbach e do português Afonso S. Moura, economistas do BCE, analisa a evolução do mercado de trabalho na zona euro entre o primeiro trimestre de 2022 e o último trimestre de 2025.

Segundo o estudo, “os trabalhadores mais velhos contribuíram significativamente para o crescimento do emprego nos últimos anos. Desde o primeiro trimestre de 2022, a taxa de emprego total na zona euro aumentou 1,7 pontos percentuais, passando de 60,3% para aproximadamente 62% no último trimestre de 2025”.

A análise realizada pelos economistas do BCE revela que, “apesar de representarem apenas 34% da população em idade ativa em 2022, os indivíduos com idades entre os 55 e os 74 anos contribuíram com 1,4 pontos percentuais para o aumento total da taxa de emprego, em comparação com uma contribuição nula dos indivíduos entre os 15 e os 24 anos e uma contribuição mais reduzida, de 0,7 pontos percentuais, dos indivíduos entre os 25 e os 54 anos”.

Outro dado destacado pelo BCE é que “a tendência atual de adiamento da reforma relativamente às gerações anteriores tem sido um fator crucial para o crescimento do emprego. Mais de 90% do aumento da taxa de emprego entre os trabalhadores mais velhos foi impulsionado pelo aumento da taxa de participação neste grupo, e não por uma maior proporção de indivíduos ativos no mercado de trabalho”.

“O recente aumento da participação na força de trabalho refletiu uma diminuição da proporção de reformados, particularmente entre os trabalhadores dos 60 aos 65 anos. As informações sobre transições de emprego recolhidas no Inquérito Europeu à Força de Trabalho e no Inquérito às Expectativas dos Consumidores do BCE confirmam que a diminuição da proporção de reformados foi impulsionada por uma menor transição para a reforma, e não por um maior número de pessoas que regressaram da inatividade ao emprego”, adianta o relatório.

A instituição liderada por Christine Lagarde refere que “as recentes alterações nas idades efetivas de reforma podem ser explicadas apenas parcialmente pelas mudanças nas idades legais de reforma”. O BCE recorda que, em 2026, a idade normal de reforma em Portugal, sem penalização, é de 66 anos e nove meses.

“A idade efetiva média de saída do mercado de trabalho aumentou em quase todos os países da zona euro entre 2022 e 2024, com um aumento médio considerável de cerca de meio ano. No entanto, na maioria das economias da zona euro, este aumento da idade efetiva de reforma foi superior ao aumento da idade legal: um aumento de um ano na idade efetiva de reforma esteve associado a um aumento de apenas 0,1 anos na idade legal, sendo este aumento estatisticamente insignificante”, acrescenta o BCE.

O banco central antecipa que o aumento da idade da reforma nos vários países “continue a impulsionar o crescimento do emprego nos próximos anos”. Segundo a instituição, “a reforma tardia dos trabalhadores parece ser uma tendência estrutural de longo prazo. A proporção de reformados na população total demonstra pouca sensibilidade ao ciclo económico, mas apresentou um declínio constante entre 2006 e 2024”.

“No entanto, o momento desse declínio varia entre as diferentes faixas etárias. Entre os indivíduos dos 55 aos 59 anos, as taxas de reforma caíram acentuadamente no início dos anos 2000 e parecem ter estabilizado abaixo dos 10%. Para aqueles entre os 60 e os 65 anos, o declínio começou mais tarde e continua em curso, com taxas médias ainda em torno dos 40%”.

Uma comparação com outras economias avançadas sugere, segundo o BCE, que “há margem para novos aumentos das taxas de emprego entre os trabalhadores mais velhos”. A instituição dá como exemplo o Japão, “um país que viveu um processo extremo de envelhecimento populacional”, onde as taxas de emprego entre os trabalhadores dos 60 aos 64 anos e dos 65 aos 69 anos atingiam, respetivamente, cerca de 74% e 54% em 2024, “em comparação com taxas significativamente mais baixas na zona euro, de 53% e 19%”.

Olhando para o futuro, o BCE considera que, “de uma forma geral, a idade da reforma continuará a aumentar, em linha com as projeções apresentadas no Relatório sobre o Envelhecimento de 2024 da Comissão Europeia. O ritmo dependerá, no entanto, das alterações nas idades legais de reforma e da evolução da situação na área da saúde”.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade